Sistema de saúde colapsa em Manaus: “próximos momentos serão desesperadores”

Demanda por oxigênio hospitalar mais que dobrou no Amazonas e pacientes já recebem ventilação mecânica; câmaras frigoríficas voltam aos cemitérios na capital

Com falta de leitos e até mesmo de oxigênio hospitalar em grandes hospitais e prontos-socorros, o sistema de saúde de Manaus chegou ao colapso nesta quinta-feira (14). Segundo relatos de profissionais de saúde capital amazonense, muitos leitos já funcionam apenas com ventiladores mecânicos, que necessitam de um rodízio de profissionais para manterem os pacientes – o que pressiona ainda mais as equipes.

No auge da pandemia, entre abril e maio do ano passado, a demanda por oxigênio em Manaus era de 30 mil metros cúbicos por dia. Nesta semana, esse número já chegou a 70 mil/dia – e continua subindo. Mas capacidade de produção local, hoje em 29 mil m², já não dá mais conta. A situação levou o governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), a pedir socorro à Brasília, que ontem já enviou quase quatro centenas de cilindros para Manaus e está transportando pacientes de lá para estados próximos, como Goiás, Piauí, Distrito Federal, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Principal fornecedora de oxigênio hospitalar em Manaus, a multinacional White Martins avisou o governo no início do mês sobre a possibilidade de falta de oxigênio.

Segundo o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), um avião Hércules da Força Aérea Brasileira foi disponibilizado para transportar mais oxigênio para a capital amazonense. A aeronave, no entanto, está em manutenção. O deputado, então, solicitou que o ministro das relações exteriores peça um avião emprestado dos EUA para fazer o transporte. Enquanto isso, novas usinas de oxigênio estão sendo providenciadas pelo governo estadual.

“Parece que até amanhã conseguem instalar as 10 usinas de oxigênio que o estado do Amazonas comprou. São elas que transformam o oxigênio do ar no cilindro que vai para os hospitais. E vamos recebendo mais oxigênio de outras localidades também”, explicou o deputado. “Mas enquanto tudo isso acontece, os próximos dias serão desesperadores.”

O Amazonas possui, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o terceiro maior índice estadual de mortes por Covid-19 a cada 100 mil habitantes, abaixo somente de Rio de Janeiro e Distrito Federal. No Estado, foi descoberta uma nova variante do coronavírus que, segundo pesquisadores, pode estar contribuindo para uma explosão de casos no Estado.

Conforme boletim publicado na quarta-feira, a ocupação dos leitos de UTI destinados a pacientes de Covid-19 no Amazonas atingia 90,33% do total, enquanto os leitos clínicos para coronavírus estavam além do limite de ocupação. As salas vermelhas, que recebem pacientes graves que serão posteriormente transferidos, apuravam ocupação de 93,33% do total.

A Reuters noticiou na terça-feira um crescimento no índice de remoção de corpos de pessoas que morreram em casa no Amazonas, diante da taxa elevada de ocupação dos hospitais locais.

MEDIDAS RESTRITIVAS

Em um tentativa de conter a disseminação da Covid-19 no Estado, o governador Wilson Lima também anunciou nesta quinta-feira a publicação de decretos com novas medidas restritivas para o Amazonas.

Uma das ações é um “toque de recolher” entre 19h e 6h, com o fechamento de todas as atividades e circulação de pessoas, exceto para atividades e transporte de produtos essenciais.

O governador também determinou a suspensão do transporte coletivo de passageiros entre rodovias e rios no Estado, com exceção dos transportes de cargas. O Estado do Pará publicou nesta quinta decreto que proíbe a entrada no Estado de embarcações vindas do Amazonas.

“São medidas que são necessárias neste momento. São medidas que para alguns podem parecer duras, mas elas são necessárias, visando, acima de tudo, a proteção da vida das pessoas”, disse Lima.

Na quarta-feira, a Justiça Federal decidiu suspender a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no Amazonas, indicando que as provas não poderão ocorrer enquanto durar o estado de calamidade pública decretado pelo governo estadual por causa da pandemia. O exame está marcado para os dias 17 e 24 de janeiro.

Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que a pasta vai recorrer da decisão. Segundo o canal, o ministro disse que os pedidos para adiamento do exame são feitos por uma “minoria barulhenta”.

(Com informações da Reuters)

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