Brasil

Ser amigo de Dilma é pior do que ser adversário, diz Aécio

As declarações de Aécio ocorreram logo após Graça Foster deixar o Palácio do Planalto, onde se reuniu reservadamente com a presidente Dilma


	Aécio Neves: segundo ele, Fraça Foster permaneceu no comando da Petrobras para "tentar limpar a cena do crime"
 (Antonio Cruz/ABr)

Aécio Neves: segundo ele, Fraça Foster permaneceu no comando da Petrobras para "tentar limpar a cena do crime" (Antonio Cruz/ABr)

DR

Da Redação

Publicado em 3 de fevereiro de 2015 às 18h14.

Brasília - O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), considerou nesta terça-feira que a manutenção de Graça Foster na presidência da Petrobras foi útil, até o momento, para que a presidente Dilma Rousseff pudesse se "anistiar de suas responsabilidades".

As declarações de Aécio ocorreram logo após Foster deixar o Palácio do Planalto, onde se reuniu reservadamente com a presidente Dilma.

Elas conversaram por cerca de duas horas, o que fez crescer os rumores sobre a saída da executiva do comando da estatal. Mas, até agora, não houve qualquer comunicado do Planalto.

"Certamente ser amigo da presidente da República, hoje, é muito pior do que seu adversário. O que ela fez com a presidente Graça Foster não se faz com um inimigo. Permitiu que assumisse um desgaste enorme nesse último período, como isso pudesse defendê-la, ou anistiá-la das suas responsabilidades. E no momento em que fica insustentável a presença da Graça Foster, ela anuncia ou pelo menos sinaliza com a sua saída", afirmou o tucano.

Na avaliação do senador, Foster permaneceu no comando da estatal para "tentar limpar a cena do crime".

Levantamento divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF) aponta que os crimes investigados pela Operação Lava Jato, que apura um esquema de desvios de recursos públicos e lavagem de dinheiro, desviaram ao menos R$ 2,1 bilhões da Petrobras.

Até o momento, a procuradoria apresentou 18 acusações criminais contra 86 pessoas, por crimes como corrupção, contra o sistema financeiro, tráfico internacional de drogas, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

"A presidente Dilma, num gesto até de pouca generosidade com a sua amiga, permitiu que ela assumisse sozinha uma responsabilidade que não é só dela. A responsabilidade pelos desmandos e pela corrupção na Petrobras começa muito antes da presidente Graça Foster. E ela, ao aceitar a missão e tentar limpar a cena do crime, passa a ser parte do mais triste momento da história da maior empresa brasileira", afirmou Aécio Neves.

O senador lembrou ainda que o partido trabalha para a coleta de assinaturas para a instalação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar desvios ocorridos na estatal.

"Eu disse há várias semanas que era insustentável a permanência da Graça Foster, não porque eu acredite que ela tenha se beneficiado com a corrupção, mas foi leniente ou não teve capacidade de administrar a nossa empresa. O maior problema da Petrobras, além da corrupção, é um problema gravíssimo de governança, com prejuízos sucessivos, agravados agora por esses referentes às refinarias iniciadas no Nordeste, que já contabilizam agora prejuízos em torno de R$ 2 bilhões. E quem responde por isso? Ninguém. Não. É por isso que nós já estamos iniciando a coleta de assinaturas para que a nova CPMI seja instalada", ressaltou.

Acompanhe tudo sobre:aecio-nevesDilma RousseffExecutivos brasileirosGraça FosterMulheres executivasPersonalidadesPolítica no BrasilPolíticosPolíticos brasileirosPT – Partido dos Trabalhadores

Mais de Brasil

Governo diz que 'apagão cibernético' não afetou sistema Gov.br e outros sistemas

Entenda por que terremoto no Chile foi sentido em São Paulo

Censo: quilombolas têm taxa de analfabetismo quase três vezes maior do que a nacional

'Apagão cibernético' não afeta operações em aeroportos do Brasil, diz ministro

Mais na Exame