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Senado aprova texto-base do projeto que reduz impostos sobre combustíveis

A proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Senado Federal (Jefferson RudyAgência Senado)

Senado Federal (Jefferson RudyAgência Senado)

Naty Falla
Naty Falla

Repórter

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 20h07.

Última atualização em 12 de agosto de 2026 às 20h46.

Com 61 votos a favor e dois contrários, o Senado Federal aprovou nesta quarta-feira, 12, o texto-base do projeto que permite ao governo usar parte da receita extra com a venda de petróleo para reduzir o imposto sobre combustíveis. A proposta segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao longo da tramitação, o projeto ganhou outros benefícios que não tinham relação com o tema original, os chamados "jabutis". Entre eles, redução de impostos para a indústria de fertilizantes e para o setor de minerais críticos e estratégicos, além de isenção de tributos para empresas ligadas à Copa do Mundo Feminina, que o Brasil vai sediar em 2027.

O conflito no Irã encareceu o combustível no mercado internacional, o que também aumentou o custo de insumos usados pela indústria brasileira, como os fertilizantes. Ao mesmo tempo, essa mesma alta valorizou o petróleo e o gás produzidos no Brasil, o que deu ao governo uma receita extra. A ideia do projeto é usar parte desse dinheiro a mais para suavizar o efeito do encarecimento nos setores afetados.

No entanto, para fazer isso, o Congresso teve que abrir uma exceção nas próprias regras do Orçamento. As Lei de Responsabilidade Fiscal e a Lei de Diretrizes Orçamentárias proíbem dar benefício fiscal sem mostrar de onde vai sair o dinheiro para compensar e qual vai ser o impacto nas contas públicas.

O que o texto prevê

Além da renúncia fiscal poder ser compensada pela arrecadação extraordinária da União com a alta do petróleo, o texto também autoriza subvenção de até R$ 1,2 bilhão a produtores e cooperativas de etanol hidratado, além do uso de até R$ 750 milhões em créditos acumulados de PIS/Cofins.

Do lado das contas públicas, se o governo projetar déficit primário, as despesas obrigatórias ficarão limitadas ao teto do arcabouço fiscal, com corte na base de cálculo de gastos ligados à Receita Corrente Líquida. A estimativa é de uma contenção de cerca de R$ 10 bilhões nas despesas de 2027.

O projeto também antecipa para 2026 cerca de R$ 5,5 bilhões em despesas que ficariam para o ano seguinte, sendo R$ 3 bilhões para o Fundo Social, destinados a saúde e educação, e R$ 2,5 bilhões para a Defesa.

Para o setor de fertilizantes, ficam autorizados créditos fiscais de até R$ 1 bilhão por ano entre 2027 e 2031, somando R$ 5 bilhões, com possibilidade de ampliação pelo Executivo. No mesmo período, fica suspensa a cobrança do AFRMM sobre mercadorias destinadas a projetos do setor, com renúncia limitada a R$ 1 bilhão.

 

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