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Sem Tebet e Bivar, Doria adia encontro para negociar terceira via

Integrantes do MDB e União Brasil dizem que paulista queria protagonizar acordo, mas aliados do paulista minimizam e dizem que ele trabalha pela união do grupo

João Doria, ex-governador de São Paulo, que deixou a política em 2022 (Governo de SP/Divulgação)

João Doria, ex-governador de São Paulo, que deixou a política em 2022 (Governo de SP/Divulgação)

AO

Agência O Globo

Publicado em 25 de abril de 2022 às 20h44.

Em meio a dificuldade dos partidos de centro para chegarem a um consenso sobre uma candidatura única ao Palácio do Planalto, líderes da terceira via adiaram um jantar na noite desta segunda-feira na casa do ex-governador João Doria (PSDB).

De acordo com fontes que acompanham as negociações por MDB e União Brasil, o cancelamento do encontro com Doria se deu para evitar com que o paulista tentasse protagonizar a discussão entre as siglas e aproveitasse para capitalizar uma carta do ex-governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite de apoio a sua pré-candidatura.

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Pessoas próximas de Tebet entendem que o formato do jantar tendo Doria como anfitrião o favoreceria. A senadora defende que o debate das regras do pacto de centro sejam feitos pelos dirigentes partidários e não individualmente pelos candidatos.

Em nota, a assessoria do paulista disse que a "impossibilidade de participação" dos pré-candidatos Tebet e Luciano Bivar (União Brasil) levou ao adiamento do encontro.

Aliados de Doria minimizam o episódio do jantar e dizem que ele trabalha pela unidade do grupo.

"Doria considera fundamental o diálogo e a convergência junto ao centro democrático para apresentar uma alternativa viável de desenvolvimento ao país", afirma Marco Vinholi, que é presidente estadual do PSDB de São Paulo e coordenador da pré-candidatura do tucano à presidência da República.

Em nota, o ex-governador disse que o momento exige "união, serenidade, equilíbrio e convergência”.

"Separados seremos derrotados e isso só interessa aos extremistas”, afirmou Doria.

Nas últimas semanas, a relação de Doria com o presidente do PSDB, Bruno Araújo, ficou estremecida após ele ter dito a um grupo de empresários que o pacto da terceira via estava acima das prévias tucanas, o que abriria caminho para Leite entrar na disputa presidencial. Desde então, Doria passou a participar mais ativamente das negociações e esteve pelo menos duas vezes com o ex-presidente Temer, um dos principais articuladores da terceira via.

Agora, porém, os critérios para a escolha do candidato de centro devem ser discutidos na quinta-feira num evento, em São Paulo, pelos presidentes do PSDB, Cidadania, MDB e União Brasil.

Ainda assim, os pré-candidatos das siglas divergem sobre os parâmetros. O grupo de Doria entende que a escolha da candidatura deveria se basear em pesquisas quantitativas, já que na maioria dos levantamentos ele pontua mais que Tebet. Na última pesquisa Datafolha, o paulista aparecia com 2%, enquanto Tebet tinha 1%.

Já o grupo de Tebet quer que a escolha tenha como base pesquisas qualitativas. Pessoas próximas a senadora dizem que a maior parte do eleitorado indeciso hoje é formado por mulheres. O mais cotado para a vaga de vice é Luciano Bivar, presidente do União Brasil, partido que é dono da maior fatia do Fundo Eleitoral e tem também o mais extenso tempo de propaganda na TV.

Pelo combinado inicial, a escolha do pré-candidato da terceira via seria em 18 de maio. Essa data, porém, também passou a ser motivo de controvérsia entre as legendas. Integrantes do União Brasil querem que o calendário seja antecipado. Ao mesmo tempo, membros desses partidos afirmam que Doria tentava negociar um adiamento para o dia 31 de maio, o que ele nega. A estratégia de Doria seria surfar num impacto positivo sobre sua avaliação após o início da propaganda de partidária de rádio e TV do PSDB a partir de 26 de abril.

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