Repórter
Publicado em 28 de julho de 2026 às 08h48.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PV e PCdoB, apresentou nesta segunda-feira, 27, uma notícia de fato à Procuradoria-Geral Eleitoral pedindo a abertura de uma investigação sobre a participação do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção nacional do PL que oficializou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O pedido foi encaminhado ao procurador-geral Eleitoral, Paulo Gonet. Na representação, a federação sustenta que há indícios de "ingerência externa indevida" no processo eleitoral brasileiro e solicita a apuração das circunstâncias da visita, incluindo sua organização, financiamento e eventual uso de recursos públicos.
A petição também inclui como alvos o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Segundo a federação, a recepção oficial oferecida por Tarcísio a Milei, incluindo a concessão da Ordem do Ipiranga antes da convenção partidária, justifica apuração sobre eventual integração entre a agenda institucional e a agenda político-eleitoral.
Os advogados argumentam que Milei ultrapassou uma manifestação política ao defender publicamente a candidatura de Flávio Bolsonaro. No discurso, o presidente argentino afirmou que o senador seria capaz de "parar Lula", declaração que, segundo a representação, configura apoio explícito ao pré-candidato e pedido implícito de não voto no atual presidente.
O documento também cita os ataques de Milei ao ministro Alexandre de Moraes, chamado de "lixo careca", e lembra que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, classificou as declarações como incompatíveis com as relações entre Estados soberanos.
A representação afirma que não há informações públicas sobre quem financiou a viagem de Milei ao Brasil, incluindo despesas com passagens, hospedagem, transporte, segurança e logística. A federação pede que a Procuradoria esclareça se houve uso de recursos do governo argentino, do PL, do governo paulista ou de fontes privadas.
Além do financiamento, a federação solicita que sejam apurados cinco pontos: a natureza jurídica da visita; a origem dos recursos utilizados; eventual uso de dinheiro público argentino em agenda partidária; possível emprego da estrutura do governo paulista para beneficiar o evento do PL; e eventual coordenação entre autoridades brasileiras, o governo argentino e o partido na organização da agenda.
Na avaliação da federação, a participação de um chefe de Estado estrangeiro em uma convenção partidária, com apoio explícito a um pré-candidato e críticas a integrantes do STF, possui relevância institucional suficiente para justificar a abertura de um procedimento pelo Ministério Público Eleitoral.
Ao final, a entidade pede que a Procuradoria-Geral Eleitoral reúna documentos, solicite informações aos envolvidos e verifique se houve utilização de estruturas públicas ou partidárias para favorecer a participação de Milei no evento e influenciar o processo eleitoral brasileiro.
*Com O Globo