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Rabino Henry Sobel morre de câncer aos 75 anos em Miami

Rabino se destacou pela defesa dos direitos humanos desde a ditadura militar, quando recusou versão oficial para morte do jornalista Vladimir Herzog

Henry Sobel  (YouTube/Reprodução)

Henry Sobel (YouTube/Reprodução)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 22 de novembro de 2019 às 11h20.

Última atualização em 22 de novembro de 2019 às 16h51.

O rabino Henry Sobel, de 75 anos, morreu na manhã desta sexta-feira, 22, em Miami, nos Estados Unidos em decorrência de complicações causadas por um câncer de pulmão.

Rabino emérito da Congregação Israelita Paulista (CIP), Sobel destacou-se como uma "voz firme em defesa dos direitos humanos no Brasil", como destaca nota divulgada pela família. O sepultamento será realizado no próximo domingo, 24, no Woodbridge Memorial Gardens, em Nova Jersey.

O rabino teve uma atuação notória após o assassinato do jornalista e diretor da TV Cultura, Vladimir Herzog, pelo governo militar.

Ao se recusar a enterrar Herzog na ala dos suicidas do cemitério israelita do Butantã, Sobel rejeitava a versão oficial apresentada pela ditadura.

Junto a D. Paulo Evaristo Arns e ao reverendo James Wright, Sobel celebrou um ofício inter-religioso em homenagem ao jornalista, de origem judia, em 23 de outubro de 1975.

Repercussão

A morte de Henry Sobel foi lamentada pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) e pela Congregação Israelita Paulista (CIP).

Por meio de nota, as entidades classificaram o rabino Henry Sobel como “um protagonista histórico na defesa dos direitos humanos no Brasil, com destaque para sua atuação na luta pelo esclarecimento da morte do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, em São Paulo, durante a ditadura militar. Sobel recusou-se a enterrar Herzog na ala dos suicidas do cemitério israelita, por rejeitar a versão oficial acerca das circunstâncias da morte. O rabino também participou, ao lado de líderes como Dom Paulo Evaristo Arns e Jaime Wright, do ato ecumênico em homenagem a Herzog, naquele mesmo ano”.

Para o o rabino Michel Schlesinger, da CIP e representante da Conib para o diálogo inter-religioso, Henry Sobel foi o maior representante que a comunidade judaica brasileira.

"De seu modo contundente e carismático, comunicou os valores judaicos humanistas para o nosso país. Quando denunciou o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, contribuiu de maneira definitiva para a redemocratização do Brasil", disse.

O presidente da Conib, Fernando Lottenberg lamentou a morte do rabino e destacou sua trajetória. “A comunidade judaica e o Brasil perdem não só um defensor inegável dos direitos humanos e dos valores judaicos, mas uma figura ímpar, que deixou marca indelével na história do país”, disse.

O governador de São Paulo, João Doria, usou sua conta no Twitter para homenager Sobel. “Um grande defensor dos direitos humanos”, escreveu Doria.

 

Autobiografia

Em 2008 Sobel lança sua autobiografia “Um homem. Um Rabino”, onde reconstrói sua trajetória desde a infância e discorre sobre sua relação com a família, a religião e a política.

Conhecido como liberal, o rabino dedica um capítulo de sua história à Vlado. Intitulado Vladimir Herzog, ele lembra quando recusou que o sepultamento do jornalista, também judeu, fosse na área dos suicidas. Na cultura judaica, quando um devoto tira a própria vida, é segregado após a morte.

Na obra, ele reconhece que o feito o tornou reconhecido nacionalmente, mas recusa que o tenha feito para alcançar notoriedade. “O engajamento obedeceu a um dever de consciência, a convicções religiosas e humanistas”, escreveu.

Furto de gravatas

Em 2007, o rabino furtou cinco gravatas em Palm Beach, nos Estados Unidos. Da grife Louis Vuitton, as peças eram avaliadas juntas em US$ 680. O incidente levou o rabino a deixar a liderança da Congregação Israelita Paulista (CIP).

Na época ele disse ter sido motivado por uma doença psicológica e devido ao efeito de remédios para depressão. Seis anos depois, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, Sobel disse que o episódio foi fruto de uma “falha moral”.

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