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Prolongamento do bloqueio de Ormuz ameaça provocar uma recessão comparável à de 2008, diz agência

Expectativa é de uma redução média de 2,6 milhões de barris por dia na demanda mundial de petróleo

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 21 de maio de 2026 às 21h10.

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O risco de uma recessão global semelhante à crise financeira de 2008 pode aumentar caso o fechamento do Estreito de Ormuz se prolongue até agosto, segundo avaliação da consultoria Rapidan Energy Group. O estudo foi apresentado pela Bloomberg.

A companhia considera, em seu cenário principal, a reabertura da rota marítima em julho. Nesse contexto, a expectativa é de uma redução média de 2,6 milhões de barris por dia na demanda mundial de petróleo, enquanto o barril do Brent poderia atingir valores próximos de US$ 130 durante o verão no hemisfério norte.

Caso a interrupção avance além desse período, o mercado exigiria uma queda ainda maior no consumo para compensar o impacto sobre a oferta nos meses de agosto e setembro. Segundo a empresa, o cenário poderia resultar em uma retração anual da demanda global de petróleo em 2026.

Por que o ataque dos EUA ao Irã não deve levar a uma Terceira Guerra Mundial Analistas do setor já projetam uma contração no consumo mundial de petróleo, movimento considerado incomum no mercado internacional.

Os preços do petróleo acumulam forte alta desde o fim de fevereiro, em meio ao avanço da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito ampliou a volatilidade nos mercados globais e elevou preocupações relacionadas à inflação e à desaceleração da atividade econômica.

Vista de satélite do Estreito de Ormuz com linhas gráficas brancas representando rotas marítimas globais e tráfego marítimo entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Conceito estratégico de transporte de petróleo

Estreito de Ormuz: abertura da rota de escoamento do petróleo segue incerta. (GettyImages)

“O cenário macroeconômico atual é menos extremo do que o da década de 1970 ou de 2007 a 2008”, afirmaram analistas da Rapidan em relatório. Segundo a consultoria, as economias apresentam menor dependência do petróleo e operam sob estruturas monetárias consideradas mais consolidadas. Ainda assim, a empresa destacou que a continuidade da alta dos preços da commodity pode ampliar fragilidades financeiras e macroeconômicas.

A Rapidan estima que um bloqueio mantido até agosto elevaria o déficit de oferta global no terceiro trimestre para cerca de 6 milhões de barris por dia.

A consultoria também apontou que os estoques globais de petróleo se aproximam de níveis considerados críticos para a operação do mercado. Mesmo em um cenário de retomada das atividades no início de agosto, a expectativa é de continuidade da pressão sobre a oferta ao longo de setembro.

O que é o estreito de Ormuz e por que ele é tão importante para a economia global

Escalada no Oriente Médio pressiona mercado de energia

Segundo a análise da Rapidan, a normalização do abastecimento não ocorreria de forma imediata após uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz. A empresa avalia que os estoques de petróleo bruto continuariam em queda durante setembro, enquanto a produção no Golfo Pérsico retomaria o ritmo gradualmente.

O relatório também indica que os embarques levariam semanas até alcançar os mercados consumidores, prolongando os efeitos da restrição logística sobre os preços internacionais do petróleo e sobre a cadeia global de energia.

Por que o estreito de Ormuz é importante para a economia global?

Por ali passa cerca de 30% de todo o petróleo consumido no mundo, além de boa parte do gás natural liquefeito produzido na região. São aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo por dia, segundo dados da Agência de Energia dos Estados Unidos.

Qual o tamanho do estreito de Ormuz?

O estreito tem apenas 33 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, sendo que as faixas de navegação para os superpetroleiros são de apenas 3 quilômetros em cada sentido.

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