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Quem é Mauro Cid, pivô da demissão do comandante do Exército

Lula determinou a imediata remoção do tenente-coronel do comando de um dos batalhões do Exército. Pai de Cid foi colega do ex-presidente no curso de oficiais e ascendeu na carreira na gestão passada

Mauro Cid: militar ascendeu na carreira no governo passado (Alan santos/Presidência/Flickr)

Mauro Cid: militar ascendeu na carreira no governo passado (Alan santos/Presidência/Flickr)

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Agência O Globo

Publicado em 21 de janeiro de 2023, 19h55.

Apontado como o pivô da demissão do general Júlio Cesar de Arruda do comando do Exército, feita neste sábado pelo presidente Lula, o tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, o Mauro Cid ou "coronel Cid", tem um histórico de relacionamento com o ex-presidente Jair Bolsonaro que vem de família.

Ajudante de ordens de Bolsonaro durante o último governo, Mauro Cid é filho do general Mauro Cesar Lourena Cid, que foi colega do ex-chefe do Executivo no curso de formação de oficiais do Exército. Desde esse período, Bolsonaro mantém uma amizade com Lourena Cid.

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Mauro Cid ascendeu na carreira no governo passado. Ele era major e foi promovido a tenente-coronel. Seu nome ganhou notoriedade nesta sexta-feira, após reportagem de Rodrigo Rangel, do portal Metrópoles, apontar que investigações da PF, sob o comando do Supremo Tribunal Federal (STF), apuram se o ajudante de ordens do ex-presidente operava uma espécie de “caixa paralelo”. O ex-presidente Bolsonaro nega as informações.

Comandante do Exército até este sábado, Arruda resistia em revogar a designação do ex-ajudante de Bolsonaro do 1º Batalhão de Ações e Comandos, unidade de Operações Especiais. Cid foi escolhido para o posto em maio de 2022, durante a gestão anterior, mas só o assumiria em fevereiro. O Planalto já havia indicado que esperava que Arruda anulasse a nomeação.

Segundo a reportagem do Metrópoles, as investigações sob o comando do ministro Alexandre de Moraes descobriram que o “coronel Cid” pagava contas do clã presidencial em dinheiro vivo. Os investigadores apuram agora se Cid operava uma espécie de “caixa paralelo” por meio de saques de recursos dos cartões corporativos, o que é negado por Bolsonaro.

Entre as contas pagas por Cid, estão faturas de um cartão de crédito adicional emitido no nome de Rosimary Cardoso Cordeiro, funcionária do Senado Federal lotada no gabinete do senador Roberto Rocha (PTB-MA). Ela é amiga próxima de Michelle — ambas trabalhavam como assessoras de deputados na Câmara — e aparece em fotos ao lado de Bolsonaro e da ex-primeira dama.