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PT desafia histórico de derrotas com chapa puro-sangue de Rui e Wagner na Bahia

Rui Costa e Jaques Wagner disputam as duas vagas ao Senado na mesma chapa, a primeira composição 100% petista no estado desde 1990

PT na Bahia: A decisão de reservar as duas vagas para nomes do PT não foi pacífica (Luis Capellão/Divulgação)

PT na Bahia: A decisão de reservar as duas vagas para nomes do PT não foi pacífica (Luis Capellão/Divulgação)

Leo Almeida
Leo Almeida

Colaborador

Publicado em 4 de outubro de 2026 às 07h00.

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O PT decidiu disputar as duas vagas da Bahia no Senado com os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner, formando a primeira chapa majoritária exclusivamente petista no estado desde 1990. A estratégia busca fortalecer a candidatura à reeleição de Jerônimo Rodrigues e ampliar a presença da campanha no interior, apesar do histórico desfavorável das chamadas chapas puro-sangue na Bahia. A escolha também provocou o rompimento do senador Angelo Coronel com o grupo governista e alterou uma aliança política construída ao longo de décadas.


O PT decidiu concentrar as duas vagas ao Senado na Bahia em nomes próprios. Rui Costa e Jaques Wagner, dois ex-governadores, são os candidatos da chapa puro-sangue — a primeira composição exclusivamente petista no estado desde 1990. A avaliação interna do partido é que a dupla fortalece a candidatura de Jerônimo Rodrigues à reeleição, ampliando o alcance da campanha no interior e dando musculatura ao discurso de continuidade de uma “mudança para melhor” no estado.

A aposta, no entanto, não acumula um retrospecto positivo no estado. A chapa puro-sangue — quando só um partido ocupa todas as vagas majoritárias — já foi testada 26 vezes na Bahia, com 20 derrotas e seis vitórias. O histórico é desfavorável, mas o PT trabalha com a hipótese de que a força individual dos dois nomes supera a desvantagem estatística.

Rui Costa deixou o governo estadual com índices de aprovação que ajudaram a impulsionar Jerônimo em 2022 e, desde então, ocupa a Casa Civil no governo Lula. Wagner é considerado intocável no partido pelo histórico que construiu e por deter o recorde de senador mais votado da história da Bahia, com 4,25 milhões de votos em 2018.

A decisão de não dividir espaço com aliados de outras siglas teve um custo imediato. O senador Angelo Coronel, que buscava a reeleição pelo PSD, foi excluído da chapa majoritária. Coronel rompeu com a base governista, pediu desfiliação do PSD em fevereiro de 2026 e se aliou a ACM Neto.

O movimento também encerrou uma parceria pessoal de cerca de 30 anos com Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia e compadre de Coronel. O rompimento expôs uma fratura no arranjo que sustenta o governo Jerônimo, que conta com o PSD como principal aliado de sua base de sustentação — com a sigla contendo 116 prefeitos, a maior bancada municipal do estado, além da segunda maior bancada na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), com nove deputados estaduais.

A força dos dois nomes

Wagner rejeita o termo "puro-sangue" e prefere chamar a composição de "chapa puro-governador". Para ele, a presença de dois ex-governadores bem avaliados fortalece o projeto eleitoral do grupo.

"O que chama para a chapa é o fato de você ter dois ex-governadores que, modéstia à parte, saíram bem avaliados e vêm contribuindo agora — eu como líder, Rui como ministro da Casa Civil — com o governo de Jerônimo, que também vem se destacando. Então a chapa ganha musculatura. É uma chapa puro-governador", afirmou.

O senador também rebate a leitura de que a chapa exclusivamente petista isola o partido. "Qualquer pessoa acha natural, por conta disso. É uma chapa puro-governador." Na visão dele, tanto sua atuação no Senado quanto o papel de Rui Costa no governo federal contribuem para dar mais robustez à gestão de Jerônimo Rodrigues.

As campanhas de Wagner e Rui afirmam que a tríade petista atua de forma unificada, sempre com a presença dos três. Na prática, conforme apurado pela EXAME, os dois compartilham a mesma equipe de campanha. Há até um jingle intitulado "Três Irmãos", que narra a trajetória do trio à frente do governo do estado e a aliança que transcende a política.

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O cálculo eleitoral

Éden Valadares, ex-presidente do PT na Bahia e atual secretário nacional de comunicação do partido, avalia que a chapa é a mais competitiva já montada no estado. "A chapa do trabalho, com os três governadores — Jerônimo, Wagner e Rui — é a que tem mais chances. Toda vez que colocamos Rui Costa nesse cenário, nossa intenção de voto cresce. Isso amplia a possibilidade de reeleger Jerônimo, Lula e nossas bancadas", afirmou.

O primeiro levantamento com os nomes da disputa ao Senado, divulgado pela Real Time Big Data em 28 de setembro, mostra Rui Costa liderando com 28% das intenções de voto, seguido por Wagner com 20%, João Roma (PL) com 17% e Coronel com 15%. Os números indicam que os dois petistas têm boas chances de ocupar as duas vagas.

A avaliação interna do PT é que a chapa também fortalece Jerônimo na corrida estadual. A presença de dois ex-governadores bem avaliados na mesma chapa amplia o alcance da campanha no interior, onde o governador precisa crescer para compensar a desvantagem nas grandes cidades.

Em 2022, Jerônimo venceu em 351 dos 417 municípios baianos. Em 2026, a aposta é que a capilaridade de Wagner e Rui — ambos com trajetórias construídas no interior — ajude a repetir o desempenho.

O rompimento com Coronel

A decisão de reservar as duas vagas para nomes do PT não foi pacífica. Coronel tentou viabilizar sua candidatura independente dentro do PSD, mas não conseguiu. Em fevereiro de 2026, pediu desfiliação da sigla.

"Eu estou preocupado em manter minha candidatura pelo PSD. Se o PT quiser continuar com aliança, estamos lá para discutir, mas não pode ter aliança querendo tirar a vaga de um senador com mandato", disse Coronel no final de 2025, quando a chapa puro-sangue voltou a ser cogitada. "Quem quer sair sozinho beira a arrogância."

O rompimento com Otto Alencar foi o desdobramento mais sensível. Os dois eram compadres e aliados políticos há cerca de 30 anos. Otto é presidente do PSD na Bahia e um dos principais sustentáculos da base governista. A saída de Coronel do campo de Jerônimo e sua migração para o palanque de ACM Neto adicionam uma variável à disputa: o senador tem capital eleitoral próprio e pode ajudar a oposição a crescer no interior.

Desgaste de um modelo

O professor Paulo Fábio Dantas, do Departamento de Ciência Política da UFBA, vê no rompimento com Coronel um sintoma do esgotamento de um arranjo político que marcou a ascensão do PT ao poder na Bahia. "Na Bahia há um arranjo de poder que evidentemente se desgastou e caducou. O que não quer dizer que ele não tenha sido importante", afirmou.

Segundo ele, o desgaste começou a se manifestar ainda na eleição de Rui Costa em 2014. "Eles estão há 12 anos na defensiva, tentando se manter. No momento da eleição de 2018, quando Rui se reelegeu, já era hora de o PT começar a pensar em outro arranjo político, porque aquele já tinha feito água no país", diz.

Dantas reconhece, no entanto, que a chapa lançada neste ano é eleitoralmente significativa — não necessariamente por ser toda do PT, mas pelos nomes que reúne. "Wagner carrega o simbolismo de ter derrotado o carlismo em 2006 e iniciado a marcha do partido no interior, enquanto Rui Costa ampliou a estratégia até chegar a Jerônimo. O fato de todos serem do mesmo partido reforça a efetividade do voto, com o mesmo número. Mas a eleição vai além disso", afirma.

Para o professor, a questão central não é se a chapa é puro-sangue ou não, mas se o arranjo político que a sustenta ainda tem fôlego para se renovar. "O que está em jogo é a capacidade do PT de construir um novo arranjo que dialogue com as demandas atuais do eleitorado baiano. A chapa é uma aposta nessa direção, mas não resolve por si só o desgaste que o partido acumulou ao longo de duas décadas", diz.


Perguntas frequentes

Quem são os candidatos do PT ao Senado pela Bahia em 2026? +

O PT escolheu os ex-governadores Rui Costa e Jaques Wagner para disputar as duas vagas da Bahia no Senado. Os dois integram a chapa encabeçada pelo governador Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição.

O que é uma chapa puro-sangue? +

Na definição adotada pela matéria, é uma composição na qual um único partido ocupa todas as vagas majoritárias da chapa. Na Bahia, o PT terá Jerônimo Rodrigues na disputa pelo governo e Rui Costa e Jaques Wagner como candidatos às duas vagas para o Senado.

Qual é o histórico das chapas puro-sangue na Bahia? +

Segundo o levantamento apresentado na matéria, chapas puro-sangue foram testadas 26 vezes na Bahia, com seis vitórias e 20 derrotas. O PT aposta que a força eleitoral individual de Rui Costa e Jaques Wagner pode superar esse retrospecto desfavorável.

Por que o PT escolheu Rui Costa e Jaques Wagner para o Senado? +

A avaliação interna do partido é que os dois ex-governadores fortalecem a candidatura de Jerônimo Rodrigues, principalmente pela capilaridade política e eleitoral construída no interior. A estratégia também busca associar os três nomes à continuidade dos governos petistas no estado.

O que aconteceu com Angelo Coronel? +

Angelo Coronel buscava a reeleição ao Senado pelo PSD, mas ficou sem espaço na chapa majoritária depois que o PT decidiu reservar as duas candidaturas para Rui Costa e Jaques Wagner. Em fevereiro de 2026, Coronel pediu desfiliação do PSD e posteriormente se aliou a ACM Neto.

Como ficou a relação entre Angelo Coronel e Otto Alencar? +

A saída de Coronel do campo governista provocou o rompimento de uma parceria pessoal e política de cerca de 30 anos com Otto Alencar, presidente do PSD na Bahia. Apesar do episódio, o PSD permanece apresentado na matéria como um dos principais partidos da base de sustentação do governo Jerônimo.

O que mostram as pesquisas para o Senado na Bahia? +

No levantamento Real Time Big Data divulgado em 28 de setembro e citado na matéria, Rui Costa aparece com 28% das intenções de voto, Jaques Wagner com 20%, João Roma com 17% e Angelo Coronel com 15%. Como estão em disputa duas vagas, cada eleitor poderá votar em dois candidatos ao Senado.

Como Rui Costa e Jaques Wagner participam da campanha de Jerônimo Rodrigues? +

As campanhas afirmam que os três atuam de forma integrada. Segundo a apuração apresentada na matéria, Rui e Wagner compartilham a mesma equipe de campanha, e a estratégia do PT é utilizar a trajetória política dos dois ex-governadores para ampliar o alcance da candidatura de Jerônimo, especialmente no interior da Bahia.

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