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Por unanimidade, STF mantém decisão de Moraes sobre perda de mandato de Carla Zambelli

Julgamento foi realizado em plenário virtual, onde os ministros registram seus votos no site do Supremo

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 12 de dezembro de 2025 às 17h01.

Última atualização em 12 de dezembro de 2025 às 17h16.

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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, nesta sexta-feira, 12, confirmar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a perda automática do mandato da deputada licenciada Carla Zambelli (PL-SP).

O julgamento foi realizado em plenário virtual, onde os ministros registram seus votos no site do STF. Embora a decisão tenha sido unânime, a votação permanece aberta até as 18h. Até o momento, votaram a favor da confirmação da decisão os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

O placar final foi de 4 votos a 0. Também votaram pela manutenção da decisão os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Moraes, relator do caso.

Conflitos com o legislativo

Com a decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a questão, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deverá dar posse ao suplente de Carla Zambelli, Adilson Barroso (PL-SP), no prazo de 48 horas.

Na última quarta-feira, 10, a Câmara dos Deputados havia decidido manter o mandato de Zambelli, com 227 votos a favor e 110 contra. Para a cassação ser aprovada, eram necessários 257 votos, o que não ocorreu. Em resposta a essa deliberação, Alexandre de Moraes determinou a anulação da resolução da Câmara que oficializou o resultado da votação, alegando que a decisão era inconstitucional.

Moraes argumentou que, de acordo com a Constituição, cabe ao Poder Judiciário decidir sobre a perda de mandato de um parlamentar condenado por decisão transitada em julgado, enquanto à Câmara dos Deputados compete apenas "declarar a perda do mandato". Assim, a decisão do STF prevalece sobre a votação da Câmara, resultando na perda automática do mandato de Zambelli.

Entenda o processo contra Carla Zambelli

Em julho deste ano, a deputada Carla Zambelli foi presa em Roma, na Itália, enquanto tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes. Com dupla cidadania, a parlamentar deixou o Brasil e buscou asilo político na Itália após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023.

De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão, cujo objetivo era a emissão de um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O hackeamento foi realizado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou que executou a ação a mando de Zambelli.

Além disso, em agosto, Zambelli foi novamente condenada pelo STF, desta vez por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. Essa condenação está relacionada a um incidente ocorrido em São Paulo, pouco antes do segundo turno das eleições de 2022, quando a deputada perseguiu um homem pelas ruas, armada.

Após sua fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição de Zambelli para que ela cumpra as penas no Brasil. O pedido formal de extradição foi oficializado pelo STF em 11 de junho e enviado pelo Itamaraty ao governo italiano.

A decisão final sobre o processo de extradição será tomada em uma audiência que ocorrerá na próxima quinta-feira, 18, na Justiça italiana.

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