Presidente Lula: aliados do petista se preocupam com uso do tema da Venezuela para impactar negativamente campanha de 2026 (Getty Images)
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Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 12h40.
Dois aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvidos sob reserva pela EXAME avaliam que ele se posicionou de maneira coerente ao repudiar os ataques dos Estados Unidos, mas reconhecem que os desmandos de Nicolás Maduro nos últimos anos devem levar a opinião pública no Brasil a ver com bons olhos a atuação de Donald Trump.
Integrantes da Secretaria de Comunicação do Palácio do Planalto foram acionados neste sábado, 3, para traçar uma estratégia de reação do governo federal à exploração da direita brasileira, que comemora os ataques e acusa o PT de ser condescendente com a política venezuelana desde a época de Hugo Chávez.
A avaliação é que o discurso de defesa da soberania, que deu certo após o tarifaço americano ao Brasil, não teria o mesmo apelo desta vez.
Por isso, a tese dominante no entorno de Lula é que ele tenha uma atuação firme do ponto de vista institucional, sem fazer uma defesa política de Maduro.
O apoio histórico do petista à Venezuela tem sido um tema espinhoso ao longo de todo seu terceiro mandato -- a questão é sempre apontada como prejudicial à aprovação de Lula.
Em 2024, por exemplo, um relatório do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) sobre a opinião pública brasileira mostrou que a maioria da população tinha uma percepção negativa da Venezuela e do governo de Maduro, considerando o regime autoritário e crítico da situação no país.
Aproximadamente 90% dos brasileiros responder ver negativamente Maduro e seu governo.
Nesse contexto, cerca de um terço dos brasileiros avaliou que o Brasil estava “demasiado próximo” da Venezuela, e cerca de 20% apoiavam um engajamento diplomático ou pragmático com Caracas — ou seja, há variabilidade na opinião pública sobre qual deve ser a postura do Brasil diante da crise venezuelana.
O governo brasileiro não reconheceu a reeleição de Maduro nas últimas eleições.
Apesar de não reconhecer formalmente a vitória eleitoral de Maduro, o governo brasileiro retomou relações diplomáticas com a Venezuela após a posse do regime chavista e voltou a trocar representantes diplomáticos.
Recentemente, o Brasil não assinou um comunicado conjunto de membros do Mercosul que pedia o restabelecimento da democracia e o respeito aos direitos humanos na Venezuela.
Segundo a Agência Brasil, a avaliação do Palácio do Planalto é que um documento desses, assinado pelo Mercosul, poderia ser lido por autoridades dos Estados Unidos como um apoio a uma eventual ação militar norte-americana na Venezuela; e isso não interessa ao Brasil.
Sob o aspecto da geopolítica, a previsão de aliados é que Lula mantenha proximidade da China e da Rússia para tentar conter o avanço dos EUA na América do Sul. Apesar disso, Lula terá cuidado para não melindrar a boa relação estabelecida com Trump nos últimos meses.