PF mira garimpo que movimentou 1,2 tonelada de ouro da Roraima e Venezuela

Segundo investigação, esquema contou com a participação de um analista da Receita e uma auditora fiscal, um procurador e uma servidora de estado
Garimpeiros: o ouro ilegal mobiliza até 15 mil garimpeiros, que vêm encontrando respaldo no discurso oficial do presidente Jair Bolsonaro (Susan Schulman/Getty Images)
Garimpeiros: o ouro ilegal mobiliza até 15 mil garimpeiros, que vêm encontrando respaldo no discurso oficial do presidente Jair Bolsonaro (Susan Schulman/Getty Images)
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Agência O Globo

Publicado em 06/12/2019 às 10:40.

Última atualização em 06/12/2019 às 10:40.

Brasília — A Polícia Federal (PF) faz uma operação nesta sexta-feira para prender 22 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa que movimentou ilegalmente 1,2 tonelada de ouro nos últimos três anos, avaliados em R$ 230 milhões.

O metal foi extraído de garimpos clandestinos em Roraima e na Venezuela. O esquema contou com a participação de um analista da Receita Federal (RF) e uma auditora fiscal, um procurador e uma servidora comissionada do Estado de Roraima, segundo a PF.

Reportagens publicadas pelo GLOBO em agosto e setembro deste ano revelaram como operam os garimpos ilegais na terra indígena ianomâmi, a maior do Brasil, e no estado de Bolívar, na Venezuela, numa região que está a 250 quilômetros da fronteira com Roraima.

Nos ianomâmi, o ouro ilegal mobiliza até 15 mil garimpeiros, que vêm encontrando respaldo no discurso oficial do presidente Jair Bolsonaro.

Na Venezuela, a retirada do ouro é capitaneada por grupos armados, entre eles um grupo guerrilheiro colombiano, o Exército de Libertação Nacional (ELN).

As informações divulgadas pela PF até o momento não detalham a origem exata da 1,2 tonelada de ouro movimentada ilegalmente.

Segundo a PF, "o grupo criminoso seria composto por venezuelanos e brasileiros que, residindo em Roraima, comprariam ilegalmente ouro extraído de garimpos da Venezuela e de garimpos clandestinos do estado".