Brasil

Obstrução não impede votações de matérias na Câmara

A sessão plenária da Câmara foi marcada pela obstrução de seis partidos em ato político contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha


	Entrevista com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha: apesar de a matéria ser consensual, a sessão para a sua aprovação durou cinco horas
 (Wilson Dias/Agência Brasil)

Entrevista com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha: apesar de a matéria ser consensual, a sessão para a sua aprovação durou cinco horas (Wilson Dias/Agência Brasil)

DR

Da Redação

Publicado em 24 de novembro de 2015 às 22h57.

Priorizar nos meus resultados Google

A sessão plenária da Câmara dos Deputados hoje (24) foi marcada pela obstrução de seis partidos em ato político contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Apesar de a matéria ser consensual, a sessão para a sua aprovação durou cinco horas. Líderes do PSOL, do PSDB, do PPS, do PSB, da Rede e do DEM entraram em obstrução protestando contra a permanência de Cunha no comando da Câmara.

Mesmo com a obstrução, o plenário aprovou a Medida Provisória (MP) 691/2015 que autoriza a União a vender terrenos rurais da Amazônia Legal e urbanos para fechar as contas do governo no próximo ano. 

A estratégia, acordada pelos partidos nesta terça-feira, foi a de impedir qualquer votação até que Cunha deixe a presidência. Para tanto, os líderes fizeram diversas manobras, como a apresentação de requerimentos protelatórios e pedidos de votação nominal, para impedir a votação.

“O PPS continua na sua postura de obstrução por não reconhecer legitimidade suficiente de vossa excelência na presidência da Casa. Portanto o PPS está obstruindo a matéria independentemente do mérito, disse o vice-líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA).

Cunha é acusado de adotar manobra para atrasar a apreciação da representação contra ele que tramita no Conselho de Ética. Hoje, um apedido de vista coletivo de deputados aliados a Cunha adiou a votação do relatório do relator, deputado Fausto Pinato (PRB-SP), recomendando a continuidade das investigações das denúncias contra o presidente da Câmara.

“A Rede também compreende que é fundamental uma manifestação, não apenas desses partidos, mas de todos os parlamentares pela obstrução dos trabalhos. Nós também entendemos que é fundamental que o deputado Eduardo Cunha se afaste da presidência para que todos tenhamos a certeza e a tranquilidade de que o processo contra o deputado no Conselho de Ética seja apreciado sem qualquer tipo de interferência, pressão ou manipulação”, defendeu o líder do partido, Alessandro Molon (RJ).

Apesar de não entrar em obstrução, partidos da base aliada, como o PCdoB, também pediram a saída de Cunha. “Não acompanharemos na obstrução da pauta do governo, na verdade a motivação [da oposição] é impedir a pauta do governo que precisa dela ainda este ano para suprir e superar as dificuldades vividas neste ano na economia”, disse a líder do partido Jandira Feghali (RJ), que pediu também a saída de Cunha da presidência.

A proposta aprovada, de autoria do deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES) e costurada na comissão mista que analisou a MP, autoriza a venda de imóveis da União, inclusive os terrenos de Marinha, localizado nos municípios com plano diretor e urbanístico aprovados e com mais de 100 mil habitantes. O governo acredita que a venda dos terrenos possa trazer R$ 10 bilhões para os cofres públicos.

Ficam de fora da venda os imóveis administrados pelos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa, pelos comandos militares, além dos situados na faixa de fronteira. A MP determina ainda a proibição da venda dos terrenos situados em área de preservação permanente ou na faixa de 30 metros a partir da praia (faixa de segurança) e os localizados em áreas nas quais seja proibido o parcelamento do solo.

Os deputados aprovaram ainda uma emenda que determina a destinação de 20% dos recursos obtidos com a receita patrimonial obtida com a venda dos imóveis, bem como 20% dos recursos arrecadados com taxas de ocupação, foro e laudêmio (taxa sobre o valor venal ou da transação do imóvel a ser paga à União). Também foi aprovada emenda autorizando que os imóveis, ressalvados os que estão em regime de ocupação, poderão ser destinados a cotas de integralização de fundos de investimento. O texto segue agora para o Senado.

Acompanhe tudo sobre:Política no BrasilPolíticaCâmara dos DeputadosEduardo Cunha

Mais de Brasil

Lula viaja a Nova York para Assembleia Geral da ONU

Análise: crise no STF turbina discurso da direita, mas não deve definir eleições ao Senado

TSE suspende campanha de Deltan Dallagnol ao Senado pelo Paraná

Chuva forte coloca regiões de São Paulo sob alerta para tempestades neste domingo