O que esperar da secretaria de Cultura com Regina Duarte

Pasta é dominada por discípulos de Olavo de Carvalho, que colocou o combate ao “marxismo cultural” como prioridade dos conservadores

São Paulo — O noivado virou casamento. A atriz Regina Duarte aceitou o convite do presidente Jair Bolsonaro e se tornará a quarta secretária especial de Cultura desde janeiro do ano passado.

Segundo o presidente, Regina terá total carta branca para tomar as atitudes que quiser. No entanto, segundo o colunista Lauro Jardim, do Globo, a secretária teria sido orientada a não liberar verbas para projetos de esquerda, especialmente aqueles com temática LGBT.

A agora secretaria ainda não deu sinais de quais serão os objetivos de longo prazo dentro da pasta. No entanto, já mostrou que dificilmente irá tomar atitudes que desagradem o chefe.

Ela convidou a pastora Jane Silva para ocupar o posto de secretária especial adjunta de Cultura. Um dos primeiros planos apresentados seria a abertura de eventos para a “família” ao lado de cada baile funk, também segundo a coluna de Lauro Jardim.

Desde o início do governo Bolsonaro, a secretaria de Cultura, assim com o Ministério da Educação, tem sido dominada por discípulos do guru e filósofo Olavo de Carvalho. Aliás, um dos temas mais debatidos por Carvalho em seus cursos de filosofia é a “guerra cultural”.

Para o filósofo, “existe uma dominação tirânica, opressiva e ditatorial exercida pelos comunistas nos últimos 50 anos.” O nome disso? “Marxismo cultural”. Não foi por acaso que houve uma limpa na secretaria desde o início do governo Bolsonaro: 80 servidores foram transferidos para outras áreas. Muitos deles eram considerados “petistas infiltrados”.

Entre os secretários que ocuparam a pasta nos últimos 13 meses, o do diretor de teatro Roberto Alvim foi o mais marcante. Em um vídeo para anunciar um novo projeto de concurso cultural neste mês, Alvim plagiou frases de Joseph Goebbels, ex-ministro da Propaganda da Alemanha nazista. A estética do vídeo, com música de Wagner, compositor preferido de Adolf Hitler, também ajudou na comparação e na exoneração do agora ex-secretário.

Esse será o cenário que Regina encontrará na secretaria a partir de agora. A sua escolha dividiu as opiniões de celebridades e artistas brasileiros. Aqueles mais à esquerda fizeram galhofa. Outros, de perfil mais conservador, comemoraram. Regina já sabe que terá o seu contrato com a Rede Globo encerrado – a partir de agora, a atriz sabe que virou política.

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 3,90/mês
  • R$ 9,90 após o terceiro mês.

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

exame digital anual

R$ 99,00/ano
  • R$ 99,00 à vista ou em até 12 vezes. (R$ 8,25 ao mês)

  • Acesse quando e onde quiser.

  • Acesso ilimitado ao EXAME Invest, macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo e tecnologia.
Assine

Já é assinante? Entre aqui.