A defesa da urna eletrônica deve ser uma das principais frentes da nova gestão, em um contexto em que o sistema foi alvo de questionamentos nas últimas eleições por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo interlocutores do tribunal ao O Globo, Nunes Marques deve reforçar medidas de transparência já aprovadas pelo TSE, com foco em ampliar a verificação pública do processo de votação e reduzir questionamentos sobre o sistema eletrônico.
Entre as iniciativas está o protocolo que permite aos últimos eleitores de cada seção acompanhar a emissão do boletim de urna, medida que busca ampliar a fiscalização social do processo eleitoral.
A nova gestão também prevê diálogo com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para avaliar a infraestrutura das urnas e garantir o funcionamento dos equipamentos antes das eleições.
Inteligência artificial e regras eleitorais
Outro eixo central será o enfrentamento ao uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais. O ministro foi relator de resoluções do TSE que estabeleceram regras para conteúdos digitais, incluindo restrições à divulgação de materiais manipulados.
Entre as medidas está a exigência de identificação de conteúdos gerados por IA, como deepfakes, além de restrições temporais para circulação em período eleitoral.
A estratégia do tribunal também prevê ampliar parcerias com universidades e instituições técnicas para apoiar a análise e perícia de conteúdos digitais.
Gestão e composição da Corte
A avaliação interna no TSE é de que Nunes Marques deve adotar um perfil de gestão de menor exposição pública e maior articulação interna, com foco em estabilidade institucional.
Ele sucede a ministra Cármen Lúcia e deve seguir uma linha de continuidade administrativa, segundo interlocutores da Corte.
Durante sua gestão, o vice-presidente será o ministro André Mendonça. Pela primeira vez, a presidência e a vice-presidência do TSE serão ocupadas por ministros indicados por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal.
Com a saída de Cármen Lúcia da presidência, o ministro Dias Toffoli passa a integrar o tribunal eleitoral.
O mandato de Nunes Marques na presidência do TSE vai até maio de 2028, quando André Mendonça deve assumir o comando da Corte.
*Com O Globo