Brasil

Nunes Marques assume presidência do TSE com foco em urna eletrônica e combate à desinformação

Gestão terá foco em tecnologia, inteligência artificial e articulação com tribunais regionais

Publicado em 12 de maio de 2026 às 07h43.

O ministro Nunes Marques assume nesta terça-feira, 12, a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em um momento marcado pela preparação para o próximo ciclo eleitoral e pela discussão sobre segurança do processo de votação no país.

A defesa da urna eletrônica deve ser uma das principais frentes da nova gestão, em um contexto em que o sistema foi alvo de questionamentos nas últimas eleições por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo interlocutores do tribunal ao O Globo, Nunes Marques deve reforçar medidas de transparência já aprovadas pelo TSE, com foco em ampliar a verificação pública do processo de votação e reduzir questionamentos sobre o sistema eletrônico.

Entre as iniciativas está o protocolo que permite aos últimos eleitores de cada seção acompanhar a emissão do boletim de urna, medida que busca ampliar a fiscalização social do processo eleitoral.

A nova gestão também prevê diálogo com os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) para avaliar a infraestrutura das urnas e garantir o funcionamento dos equipamentos antes das eleições.

Inteligência artificial e regras eleitorais

Outro eixo central será o enfrentamento ao uso de inteligência artificial nas campanhas eleitorais. O ministro foi relator de resoluções do TSE que estabeleceram regras para conteúdos digitais, incluindo restrições à divulgação de materiais manipulados.

Entre as medidas está a exigência de identificação de conteúdos gerados por IA, como deepfakes, além de restrições temporais para circulação em período eleitoral.

A estratégia do tribunal também prevê ampliar parcerias com universidades e instituições técnicas para apoiar a análise e perícia de conteúdos digitais.

Gestão e composição da Corte

A avaliação interna no TSE é de que Nunes Marques deve adotar um perfil de gestão de menor exposição pública e maior articulação interna, com foco em estabilidade institucional.

Ele sucede a ministra Cármen Lúcia e deve seguir uma linha de continuidade administrativa, segundo interlocutores da Corte.

Durante sua gestão, o vice-presidente será o ministro André Mendonça. Pela primeira vez, a presidência e a vice-presidência do TSE serão ocupadas por ministros indicados por Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal.

Com a saída de Cármen Lúcia da presidência, o ministro Dias Toffoli passa a integrar o tribunal eleitoral.

O mandato de Nunes Marques na presidência do TSE vai até maio de 2028, quando André Mendonça deve assumir o comando da Corte.

*Com O Globo

Acompanhe tudo sobre:TSE

Mais de Brasil

Racha entre Brandão e grupo de Dino divide PT e preocupa aliados de Lula no Maranhão

Lula vai ao G7 com foco em tarifas dos EUA e possível encontro com Trump

PGR deve seguir PF e rejeitar segunda proposta de delação de Daniel Vorcaro

STF julga Eduardo Bolsonaro em meio a atrito com governo Trump