Flávio: senador seguirá no Sudeste, região que concentra os três maiores colégios eleitorais (Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 06h00.
Flávio Bolsonaro (PL) concentra a reta final da campanha presidencial em estados do Sudeste, com agendas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro antes do primeiro turno. O senador também intensificou o discurso pelo voto útil e passou a pedir que eleitores de candidatos como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury migrem para sua candidatura. A estratégia ocorre em uma semana marcada por pesquisas que mostram vantagem de Lula no primeiro turno e por uma crise envolvendo um boato sobre Nossa Senhora Aparecida e críticas à CNBB.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) vai concentrar a reta final de sua campanha presidencial no Sudeste, com agendas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, enquanto tenta ampliar a transferência de votos de candidatos de centro e direita, reforçar o discurso pelo voto útil e se descolar da crise envolvendo a fake news da Nossa Senhora Aparecida.
A seis dias do primeiro turno, pesquisas divulgadas nesta segunda-feira mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abrindo vantagem sobre Flávio no primeiro turno, enquanto a disputa em um eventual segundo turno aparece tecnicamente empatada.
Na segunda-feira, 28, Flávio cumpriu agenda em São Paulo ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), um dos principais cabos eleitorais do parlamentar na capital.
Nesta terça-feira, 29, o senador permanece no estado, com reuniões internas e gravações de campanha pela manhã e um encontro com faixas-pretas de jiu-jítsu às 15h, na Alliance Jiu Jitsu, na Vila Olímpia.
A programação faz parte de uma reta final em que a campanha tenta consolidar alianças regionais e mobilizar a base política ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Até sábado, Flávio deve voltar a São Paulo para uma motociata ao lado de Tarcísio e Nunes. Também estão previstas agendas em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, maiores colégios eleitorais e considerados estratégicos pela campanha.
Flávio passou a intensificar o pedido por voto útil na reta final da campanha. O senador tem buscado atrair eleitores de candidatos que disputam o mesmo campo político e que aparecem atrás nas pesquisas, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante).
Em uma agenda em Goiás, estado de Caiado, Flávio disse que o seu único adversário é o atual presidente e disse que só precisa de um "empurrãozinho".
"Eu não tenho adversários concorrendo comigo na Presidência, a não ser o Lula. É ele que eu vou tirar da Presidência, é ele que o povo não quer mais. E é o Flávio Bolsonaro que está pronto, está ali já na frente nas pesquisas e só basta um empurrãozinho, que eu acho que Goiás pode me ajudar muito a dar", disse.
A estratégia é reduzir a divisão de votos entre candidaturas de oposição a Lula e tentar concentrar esse eleitorado em sua candidatura já no primeiro turno.
Nesta segunda, em São Paulo, o senador voltou a apelar para os eleitores da chamada terceira via.
"Peço àqueles que ainda estão considerando votar em Flávio Bolsonaro só no segundo turno para pensarem em dar uma oportunidade de votar já no primeiro turno, com todo o respeito aos meus concorrentes, porque o Brasil tem que começar a mudar rápido. Ninguém aguenta mais um dia desse governo", disse.
Na pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira, 28, Lula aparece com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% de Flávio Bolsonaro; Ronaldo Caiado e Augusto Cury aparecem com 5% cada, enquanto Romeu Zema tem 1%. O levantamento mostra que o senador é a segunda opção de 17% dos eleitores que ainda consideram mudar de voto até o dia 4 de outubro. Cerca de 87% dos eleitores afirmam que já escolheram seu candidato à presidência.
Na quarta-feira, 30, Flávio deve viajar para Brasília para iniciar a preparação para o debate presidencial da TV Globo, marcado para quinta-feira, 1º de outubro, no Rio de Janeiro.
O confronto televisivo será uma das últimas oportunidades de exposição nacional antes da votação. Será o primeiro debate presidencial em que Flávio participará. O senador confirmou, no último domingo, que participará do encontro, mesmo sem a presença de Lula.
"Está confirmado, eu vou ao debate da Globo. Eu quero ir para lá para debater com ele. Estou chamando o Lula para o debate. Lula, eu quero você no debate da Globo. Vem debater comigo, porque eu vou esfregar a verdade na sua cara", afirmou Flávio.O encontro ocorre em um cenário de disputa concentrada entre Lula e Flávio. Na pesquisa BTG/Nexus, um eventual segundo turno entre os dois aparece dentro da margem de erro: Lula tem 46% e Flávio, 44%.
A reta final da campanha também foi marcada por uma crise envolvendo uma informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e uma disputa envolvendo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O boato afirmava que Flávio Bolsonaro pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil caso fosse eleito presidente. O senador negou a informação e afirmou que se tratava de uma fake news. A narrativa foi relacionada a um projeto apresentado em 2008 pelo então deputado Victorio Galli, que foi arquivado e não era uma proposta apresentada por Flávio.
A polêmica aumentou depois que Flávio afirmou que pessoas ligadas à CNBB teriam ajudado na divulgação do conteúdo. A entidade negou a acusação e afirmou, em nota, que não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral.
A CNBB afirmou que não integra estruturas político-partidárias e rejeitou a acusação de participação na circulação de informações falsas durante a campanha eleitoral.
A agenda de Flávio também ocorre em meio às disputas estaduais dos principais aliados da campanha.
Enquanto em São Paulo, Tarcísio de Freitas aparece em um cenário de reeleição ainda no primeiro turno, segundo as pesquisas.
Em Minas Gerais, o candidato apoiado por Flávio ao governo estadual, Flávio Roscoe, enfrenta dificuldades para chegar ao segundo turno nas pesquisas divulgadas até o momento. O senador Cleitinho (Republicanos), que apoia Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, aparece como líder nos levantamentos estaduais e também declarou que aceita votos de eleitores de Lula.
No Rio de Janeiro, estado onde a família Bolsonaro construiu sua principal base política, o candidato apoiado por Flávio, Douglas Ruas (PL), disputa a eleição contra o ex-prefeito da capital Eduardo Paes, que aparece à frente nas pesquisas divulgadas.
A campanha concentra agendas no Sudeste e tenta atrair eleitores de candidatos de centro e direita por meio do discurso de voto útil.
O senador tem citado eleitores de nomes como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Augusto Cury.
A pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 42% e Flávio Bolsonaro com 37% no primeiro turno. A Quaest divulgada anteriormente apontou Lula com 40% e Flávio com 35%.
Circulou uma informação falsa de que Flávio Bolsonaro retiraria o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O senador negou a informação.
A entidade afirmou que não produziu, autorizou ou participou da divulgação de informações falsas relacionadas à eleição e negou envolvimento na circulação do boato.