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Movimentos de moradia criticam protesto que fechou linha da CPTM

O protesto realizado na Linha 12-Safira da CPTM foi organizado por um grupo que ocupava irregularmente um terreno em Cangaíba, na zona leste de São Paulo

Protesto: as famílias sem-teto protestavam pela reintegração de posse do terreno (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Protesto: as famílias sem-teto protestavam pela reintegração de posse do terreno (Rovena Rosa/Agência Brasil)

AB

Agência Brasil

Publicado em 7 de julho de 2017 às 17h48.

O Movimento dos Trabalhadores Leste 1 e a Associação Santa Zita, proprietários de um terreno em Cangaíba, na zona leste de São Paulo, desocupado hoje (7) em uma reintegração de posse, criticaram o protesto de famílias sem-teto que fechou por duas horas a Linha 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

Segundo as entidades, o protesto foi organizado por um grupo que ocupava irregularmente o terreno, que foi comprado pelas organizações para construção de um empreendimento do Programa Minha Casa, Minha Vida.

O projeto deve beneficiar cerca de 450 famílias e receberá investimentos do município.

"No terreno do Cangaíba, cerca de 400 famílias conquistaram com organização e persistência, depois de três anos, o financiamento no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida Entidades para a compra do terreno e a construção de 438 apartamentos em regime de mutirão e autogestão", informaram as entidades em nota.

"No dia 17/06, cerca de 30 pessoas, de forma violenta, ocuparam o terreno e passaram a atrair outras famílias da vizinhança com a promessa de que ele seria destinado aos que se alojassem no local. Em troca, vendiam segurança, materiais de construção, entre outros serviços", afirmam as organizações.

Após o início da reintegração de posse, um grupo que morava no terreno atualmente invadiu a via férrea, colocou madeiras e pneus sobre os trilhos e ateou fogo, obrigando a CPTM a paralisar a circulação dos trens.

A interrupção durou cercade duas horas. A Polícia Militar (PM) foi mobilizada. Segundo a corporação, o local foi esvaziado com a intervenção da segurança da companhia ferroviária.

Depois do protesto, alguns moradores tentavam recuperar pertences no local onde ocorreu a reintegração de posse.

"Perdi o que tinha e também minhas mercadorias, as coxinhas que vendia. Agora é pegar o que sobrou e ir para casa dos parentes", lamentou o aposentado Valdomiro Santos, de 74 anos, que morava em um barraco com a esposa.

Em nota, a Secretaria de Municipal de Habitação disse que a reintegração de posse cumpriu ordem da Justiça, a pedido das entidades que controlam o terreno.

"A prefeitura não pode intervir em decisão judicial, porém dialogou nas últimas semanas com as famílias orientando sobre os serviços do Centro de Referência Especializado em Assistência Social [CREAS] da região."

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