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Máquina rodando e sem 'novos programas': o que esperar dos novos ministros de Lula

Ao confirmar a saída de ao menos 18 ministros para disputar as eleições de 2026, o presidente deixou claro o recado aos substitutos: manter a “máquina rodando” até o fim do mandato

Espladanada dos ministérios: A principal característica dessas mudanças foi a escolha de substitutos que já integram a estrutura do ministério (Jefferson Rudy/Agência Senado/Flickr)

Espladanada dos ministérios: A principal característica dessas mudanças foi a escolha de substitutos que já integram a estrutura do ministério (Jefferson Rudy/Agência Senado/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 5 de abril de 2026 às 09h00.

A reforma ministerial do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocada pela corrida eleitoral deve ser marcada mais pela continuidade do que por mudanças estruturais na gestão ou novidades.

Ao confirmar a saída de ao menos 18 ministros para disputar as eleições de 2026, o presidente deixou claro o recado aos substitutos: manter a “máquina rodando” até o fim do mandato.

A orientação política reduz o espaço para novas agendas ou programas. Segundo Lula, o foco está na conclusão de entregas já em curso, em um cenário de transição que ocorre a nove meses do encerramento do mandato.

Desde o fim de 2025, Lula tem pregado que o governo precisa "colher" as políticas públicas e projetos que já foram implementados.

A principal característica dessas mudanças foi a escolha de substitutos que já integram a estrutura do ministério — sobretudo secretários-executivos, considerados os “número dois” de cada pasta.

Entre os exemplos, a Casa Civil será ocupada por Miriam Belchior, atual secretária-executiva, que assume no lugar de Rui Costa. O mesmo padrão se repete em áreas como Meio Ambiente, Educação, Cidades e Direitos Humanos, com nomes internos promovidos.

O movimento também atende a um calendário político. Os ministros deixam o governo dentro do prazo de desincompatibilização eleitoral, devem disputar cargos públicos em 2026 ou coordenar campanhas. Entre os que saem estão figuras centrais como Geraldo Alckmin, além de nomes de peso como Marina Silva e Simone Tebet.

Fazenda é exceção e prepara "novo Desenrola"

Se a maioria das pastas tende à continuidade, a área econômica aparece como exceção. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já empossado anteriormente, prepara um programa de renegociação de dívidas a pedido do presidente Lula.

A equipe econômica trabalha em um novo programa de renegociação de dívidas, com previsão de descontos amplos e eventual garantia pública para operações de crédito. A medida mira famílias superendividadas e tenta corrigir limitações do Desenrola Brasil. Segundo Durigan, o novo programa prevê até 80% de desconto.

A proposta inclui ainda mecanismos de educação financeira como contrapartida, além do uso de um fundo para viabilizar renegociações. A iniciativa dialoga com uma das prioridades do governo em ano eleitoral: aliviar o endividamento das famílias e estimular o consumo.

Veja os novos ministros definidos

Ministério dos Transportes

George Santoro, ex-Secretário Executivo do Ministério dos Transportes

Ministério de Portos e Aeroportos

Tomé Barros Monteiro da Franca, ex-Secretário-Executivo do Ministério de Portos e Aeroportos

Ministério do Planejamento e Orçamento

Bruno Moretti, ex-Secretário Especial de Análise Governamental da Casa Civil da Presidência da República

Ministério do Meio Ambiente

João Paulo Ribeiro Capobianco, ex-Secretário-Executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania

Janine Mello dos Santos, ex-Secretária-Executivo do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania

Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

Fernanda Machiaveli, ex-Secretária-Executiva do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar

Casa Civil

Miriam Belchior, ex-Secretária-Executiva da Casa Civil da Presidência da República

Ministério da Educação

Leonardo Barchini, ex-Secretário-Executivo do Ministério da Educação

Ministério dos Esportes

Paulo Henrique Cordeiro Perna, ex-Secretário Nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social do Ministério do Esporte

Ministério das Cidades

Antônio Vladimir Lima, ex-Secretário-Executivo do Ministério das Cidades

Ministério da Igualdade Racial

Rachel Barros de Oliveira, ex-Secretária-Executiva do Ministério da Igualdade Racial

Ministério dos Povos Indígenas

Eloy Terena, ex-Secretário-Executivo do Ministério dos Povos Indigenas

Ministério da Aquicultura e Pesca

Rivetla Edipo Araujo Cruz, ex-Secretário-Executivo do Ministério da Pesca e Aquicultura

Ministério da Agricultura e Pecuária

André de Paula, ex-Ministro da Aquicultura e Pesca

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