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Premiado em Londres, Jaé pode gerar economia de R$ 150 milhões ao Rio, diz CEO

Bilhete de transporte do Rio adotou sistema online que reduz espaço para fraudes

Ônibus no centro do Rio de Janeiro (Agência Brasil)

Ônibus no centro do Rio de Janeiro (Agência Brasil)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 5 de abril de 2026 às 08h01.

O cartão Jaé, bilhete de transporte adotado na cidade do Rio de Janeiro em 2025, pode gerar uma economia de R$ 150 milhões por ano, diz Bruno Berezin, CEO da Autopass, empresa que opera o sistema.

Berezin diz que o sistema de ônibus do Rio processa entre 200 e 300 milhões de transações (cobrança de passagens) por ano. Destas, cerca de 30% envolvem alguma gratuidade ou desconto, como os benefícios para idosos e estudantes.

"Dessas 200 a 300 milhões de transações, pelo menos até 10% são transações que não deveriam acontecer", diz Berezin. Ou seja: fraudes.

"O tíquete médio do Rio de Janeiro é de R$ 5. Assim, só neste bloco de gratuidades, a gente evita [perder] entre R$ 100 milhões e R$ 150 milhões, que a gente devolve para o município", afirma.

Uma das diferenças do Jaé em relação a modelos anteriores é que ele é um sistema online. Ou seja: os validadores ficam conectados à internet o tempo todo e confirmam as transações com o banco de dados central em tempo real, em um modelo chamado ABT.

Em outros sistemas, como o Bilhete Único de São Paulo, o cartão funciona como um pen drive: os créditos são gravados fisicamente no chip do cartão e apagados a cada passagem no validador, que armazena os dados e, em determinados horários do dia, os envia à central.

O modelo offline foi adotado porque havia dificuldade em manter os validadores conectados à internet enquanto os ônibus estão em movimento. O Bilhete Único paulistano foi lançado em 2004, quando a internet móvel ainda engatinhava no país. Hoje, já há conexões 5G, embora o sinal possa falhar em algumas áreas da cidade.

Para resolver a questão da falta de sinal, a Autopass apostou em uma tecnologia de "redundância tripla". Os validadores possuem conexão com as três operadoras, Vivo, Claro e Tim. Se uma delas cair, a conexão é feita com outra.

"Se a Vivo chegar num indicador [de sinal] que não é saudável, automaticamente o sistema chaveia para Claro. Quando o sistema entende que a Vivo voltou para aquele patamar saudável, o sistema volta para a primeira porta de entrada", explica o CEO.

A conectividade ajuda a combater fraudes. Se um bilhete idoso ou vale-transporte for usado com frequência em pouco tempo, o bloqueio pode ser feito imediatamente. A mesma regra para cartões fraudados, falsificados ou roubados.

Bruno Berezin, CEO da Autopass

Bruno Berezin, CEO da Autopass (Divulgação)

Cartão Top terá a tecnologia

A Autopass também opera o cartão Top, aceito em estações de metrô e trens de São Paulo e em ônibus intermunicipais. Berezin diz que a adoção do sistema ABT nos coletivos paulistas está em negociação com as empresas e o governo.

"A gente vai pegar a tecnologia do Rio de Janeiro, do ABT, e subir ela no sistema da Região Metropolitana de São Paulo. Eu dependo de aprovação e tenho que submetê-la aos clientes. Nós já estamos em conversas avançadas", diz.

Os validadores atuais dos ônibus já estão aptos para receber a tecnologia, e também passarão a receber leitores de QR code, replicando o sistema já usado em estações de trem e metrô. Os QR codes, que funcionam como bilhetes, podem ser comprados via aplicativo ou WhatsApp.

Prêmio em Londres

Em março, o Jaé foi premiado no concurso Transport Ticketing Awards 2026, realizado em março em Londres, pela rapidez na implantação, impacto gerado e tamanho da operação. A vitória foi na categoria de bilhetagem integrada regional.

O sistema substituiu o antigo Bilhete Único carioca e ampliou o controle da Prefeitura do Rio sobre a operação dos ônibus. O Jaé tem 4,5 milhões de usuários cadastrados, 13 mil validadores e 3,1 milhões de viagens diárias. O cartão pode ser usado nos ônibus municipais, BRT, VLT, vans e metrô.

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