Salário Mínimo: um dos principais instrumentos de política de renda no Brasil (Ricardo Stuckert / PR/Agência Senado/Flickr)
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Publicado em 9 de outubro de 2026 às 06h00.
Os planos de governo de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apresentam abordagens diferentes para a renda e o mercado de trabalho nas eleições de 2026. Lula propõe manter a política de valorização do salário mínimo, com aumentos reais para preservar o poder de compra dos trabalhadores. Já Flávio não estabelece uma regra específica para o reajuste do piso e concentra suas propostas na redução dos custos de contratação, na formalização do emprego e na flexibilização das relações trabalhistas.
O salário mínimo é um dos principais instrumentos de política de renda no Brasil, e aparece de formas diferentes nos planos de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Enquanto Lula propõe dar continuidade à política de valorização do salário mínimo, com aumentos reais para o piso de remuneração, o programa de Flávio não estabelece uma regra específica para reajuste, nem cita o salário mínimo. A proposta do candidato do PL concentra-se em medidas para ampliar a contratação formal.
A diferença está na forma como os dois candidatos tratam a renda do trabalhador. O plano petista coloca a valorização do salário mínimo como uma política de distribuição de renda e desenvolvimento social. Já o plano de Flávio mira os empresários e apresenta a redução do custo do trabalhador registrado.
O programa de governo de Lula afirma que o próximo mandato dará continuidade à política de valorização do salário mínimo.
"Com a retomada da política de valorização do salário-mínimo, asseguramos aumento real para o piso de remuneração todos os anos, permitindo a recuperação de seu poder de compra e impulsionando os rendimentos do trabalho, que chegaram aos maiores patamares reais da história", diz um trecho do tópico 12 do plano.
O plano afirma que a valorização do salário mínimo será mantida como um instrumento de distribuição de renda, combate à pobreza e promoção do desenvolvimento econômico e social. O documento também relaciona a política ao aumento do poder de compra de aposentados e pensionistas.
A proposta faz parte de uma estratégia mais ampla de valorização do trabalho. O plano defende que o país deve superar uma estratégia de competitividade baseada em baixos salários e avançar em direção a um modelo sustentado por inovação, difusão tecnológica, qualificação profissional, infraestrutura, crédito e assistência técnica.
O documento também prevê a continuidade de medidas de proteção trabalhista e de ampliação do emprego formal. Entre as propostas estão o combate à "pejotização espúria", a regulamentação do trabalho em plataformas digitais e o fortalecimento da negociação coletiva.
Segundo o plano, o investimento em infraestrutura, a política industrial e a oferta de linhas de crédito para diferentes segmentos produtivos no atual governo geraram as taxas mais baixas de desemprego da história (de 5,1% no último trimestre de 2025, segundo a PNAD Contínua do IBGE).
O plano de governo de Flávio Bolsonaro não estabelece uma política específica de valorização ou uma fórmula para o reajuste do salário mínimo. O documento, porém, apresenta uma série de medidas voltadas ao mercado de trabalho e à renda dos trabalhadores.
A principal delas é a redução gradual do custo do trabalho. Segundo o programa, o custo de um trabalhador formal pode chegar a cerca de duas vezes o salário que ele recebe, sem citar fontes, o que, na avaliação apresentada no documento, desestimula empresas a contratar com carteira assinada e favorece a informalidade.
"Vamos reduzir gradualmente o custo do trabalho, sem retirar direitos, para que mais brasileiros tenham carteira assinada e a proteção que vem com ela", afirma a página 43 do plano.
A proposta prevê contratos com menor custo na folha para jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e condições mais atrativas para a contratação de pessoas com 50 anos ou mais que estejam desempregadas há pelo menos 12 meses, mas não detalha quais condições.
O programa também defende maior flexibilidade nas relações de trabalho. O candidato propõe o chamado "negociado sobre o legislado", permitindo que trabalhador e empresa combinem diretamente condições de trabalho, dentro da legislação.
A ideia aparece no plano sob o princípio de que o "trabalho compensa": a proposta é ampliar a formalização, facilitar a entrada no mercado e aumentar as oportunidades de emprego. O documento também prevê um banco nacional de vagas conectado ao RH das empresas para aproximar trabalhadores e empregadores.
O plano de governo de Lula prevê a continuidade da política de valorização do salário mínimo, com reajustes que garantam ganhos reais, acima da inflação. A proposta busca preservar o poder de compra dos trabalhadores e contribuir para a distribuição de renda e o combate à pobreza.
O programa de governo de Flávio Bolsonaro não apresenta uma fórmula específica para o reajuste do salário mínimo nem estabelece uma política de valorização do piso. O documento prioriza medidas para reduzir o custo da contratação formal e ampliar as oportunidades de emprego.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro não prevê o fim dos aumentos reais do salário mínimo. O documento também não apresenta compromisso específico de manter essa política ou estabelecer uma nova regra de reajuste.
Lula defende a valorização do salário mínimo, a proteção trabalhista e o fortalecimento da negociação coletiva. Flávio Bolsonaro prioriza a redução dos custos de contratação, a ampliação do emprego formal e maior flexibilidade nas relações de trabalho. As propostas apresentam instrumentos diferentes para tratar da renda e do mercado de trabalho.
O candidato do PL propõe reduzir gradualmente os custos de contratação, sem retirar direitos, segundo seu programa. O plano prevê condições diferenciadas para contratar jovens de 18 a 24 anos em busca do primeiro emprego e pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses. Também propõe criar um banco nacional de vagas conectado às empresas.
O aumento real ocorre quando o reajuste do salário mínimo supera a inflação do período, permitindo que o trabalhador amplie seu poder de compra. A política defendida por Lula busca garantir ganhos acima da inflação para o piso nacional de remuneração.
O plano de Lula relaciona a valorização do salário mínimo à preservação do poder de compra de aposentados e pensionistas. Já o programa de Flávio Bolsonaro não apresenta uma regra específica para o reajuste do piso nacional, que também serve de referência para benefícios previdenciários.