O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião ministerial em junho de 2026 (Reprodução)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 3 de junho de 2026 às 11h57.
Última atualização em 3 de junho de 2026 às 12h23.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar, em reunião ministerial realizada nesta quarta-feira, 3, a possibilidade de um novo tarifaço dos Estados Unidos contra exportações brasileiras.
O presidente disse que o tratamento dado ao Brasil pelos EUA é inaceitável, em referência à recomendação do USTR, representante comercial americano, de imposição de tarifa de 25% sobre as exportações brasileiras.
"Somos muito grandes, temos muita história e não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana. Ninguém pode dizer que o Brasil se negou a negociar com os Estados Unidos", disse Lula a ministros. A fala foi transmitida por emissoras de televisão estatais e publicada nas redes sociais.
Lula disse que foi surpreendido pelo anúncio do USTR, feito em meio às negociações entre as equipes técnicas dos dois países. Também voltou a responsabilizar o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por um eventual tarifaço e, sem citar o nome do rival político, voltou a chamá-lo de traidor da pátria.
O presidente ainda voltou a criticar o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e pediu que o Senado brasileiro reaja às falas do auxiliar de Trump de que o Brasil "não é um país amigável" aos EUA.
"Não fizemos bravata, não fizemos discurso. Resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar, não só aos Estados Unidos, mas a outros países e ao povo americano, porque teve alguns artigos meus no Washington Post, no New York Times, para tentar conversar com o povo americano e mostrar a insensatez da punição ao Brasil. Eu já tinha dito e vou dizer para vocês e para o presidente Trump: o Marco Rubio não gosta da América Latina e muito menos do Brasil", disse Lula.
O presidente brasileiro cobrou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), por uma reação à declaração de Rubio sobre o Brasil.
"Espero que o nosso Senado, Jaques Wagner, reaja, porque ele (Rubio) falou ontem no Senado (americano) que ele está muito feliz porque eles estão conseguindo fazer a América Latina, com a exceção do Brasil, da Nicarágua, de Cuba e da Colômbia, muito próxima dos Estados Unidos. Ele não sabe o que nós já sabemos. Que, antes dessa jogada deles, este país foi vítima de um golpe em 1964, naquele tempo articulado por embaixadores americanos no Brasil. É importante que eles saibam que conhecemos a história e que não queremos guerra".
Lula voltou a ressaltar, também, que no mesmo dia da recomendação do USTR, a China retirou restrições à carne brasileira. A fala é uma tentativa de mostrar ao governo americano que, caso haja um novo tarifaço, o Brasil poderá estreitar laços com a China, potência com quem Trump trava uma disputa geopolítica.
"A melhor resposta que a gente pode dar aos Estados Unidos é que, no dia em que eles anunciaram a taxação de 25%, a China anunciou o reconhecimento do Brasil fora da febre aftosa. A carne brasileira foi totalmente liberada pelos chineses", disse.