Aluguel residencial: movimento de alta nos preços foi mais intenso em imóveis de maior padrão. (Wikimedia Commons)
Agência de notícias
Publicado em 23 de dezembro de 2024 às 11h14.
Última atualização em 23 de dezembro de 2024 às 11h24.
A Justiça de São Paulo suspendeu a revisão nas regras do tombamento do bairro dos Jardins, em São Paulo, que abriu brecha para a construção de condomínios de casas na valorizada região da Zona Oeste de São Paulo, hoje caracterizada por mansões em lotes unifamiliares.
A decisão liminar foi proferida no dia 19 de dezembro pela relatora do processo, a juíza Cynthia Thomé, que afirma que não houve a "efetiva participação popular" na revisão. A ação foi movida pelo movimento Defenda São Paulo.
O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), do governo estadual, havia aprovado no dia 16 de dezembro mudanças no tombamento da região que afetavam diretamente os bairros Jardim Europa, Jardim Paulista, Jardim Paulistano e Jardim América.
O tombamento dos Jardins existe desde 1986 com o objetivo de manter as características originais dos bairros tradicionalmente residenciais que ficam entre as avenidas Rebouças, Faria Lima, Brigadeiro Luís Antônio e a rua Estados Unidos.
A nova regra permitia que os lotes da região poderiam ser desmembrados e os terrenos poderiam abrigar, por exemplo, condomínios de casas. O texto aprovado, no entanto, indicava que cada desmembramento deveria ser aprovado pelo Conselho.
Outra mudança foi que a prefeitura de São Paulo poderia redefinir o uso dos imóveis. Até a revisão, era permitido apenas o uso residencial nos bairros, com exceção de vias de maior fluxo na região, como as avenidas Europa e Rebouças. Com a mudança, o uso comercial poderia ser expandido.
Na liminar, a juíza escreveu que o grupo de trabalho que analisou a revisão não teve representantes populares e que "não há notícia de que todas as contribuições apresentadas pela sociedade civil, entre elas pareceres técnicos, foram analisadas e consideradas ou não de forma fundamentada".
Procurado, o Condephaat disse, em nota, que "não foi notificado oficialmente sobre a decisão judicial. Assim que formalmente comunicado, haverá avaliação para que sejam tomadas as medidas cabíveis".