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Itamaraty diz que não há condições de evacuar brasileiros na Ucrânia

A embaixada do Brasil está cadastrando brasileiros no país para planejar uma futura evacuação, mas a recomendação por ora é que os cidadãos fiquem em casa ou se desloquem rumo ao oeste do país

Briefing sobre assistência consular a brasileiros na Ucrânia (Gustavo Maglhães/MRE/Divulgação)

Briefing sobre assistência consular a brasileiros na Ucrânia (Gustavo Maglhães/MRE/Divulgação)

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Da redação, com agências

24 de fevereiro de 2022, 18h44

O Itamaraty informou que não há condições de segurança para evacuar os brasileiros na Ucrânia até o momento, após ataques à capital Kiev e outras cidades ucranianas realizados por tropas russas nesta quinta-feira, 24.

A embaixada na Ucrânia está cadastrando os brasileiros, mas a recomendação por ora é que os cidadãos fiquem em casa e longe de estruturas em risco, ou, caso estejam nas áreas mais próximas à fronteira russa, tentem se deslocar rumo a oeste.

A estimativa é de que haja cerca de 500 brasileiros na Ucrânia, dos quais mais de 160 se recadastraram junto à embaixada, informa o Itamaraty.

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Um eventual plano de evacuação dos brasileiros dependerá das condições de segurança da Ucrânia e da possibilidade de os brasileiros se concentrarem em um ponto de resgate, afirmou Leonardo Gorgulho, secretário de comunicação e cultura do Ministério das Relações Exteriores, em coletiva de imprensa.

"O local e o momento em que os brasileiros serão chamados a se concentrar, para fins de evacuação, serão amplamente difundidos pela embaixada, por meio de seus canais de comunicação com a comunidade brasileira. É, portanto, muito importante que todos se cadastrem", informou Gorgulho.

Não há data prevista para evacuação até o momento diante das condições de segurança.

Para os brasileiros vivendo no leste do país, região mais afetada pelos conflitos, a embaixada recomendou que, se possível e por "meios próprios", se dirijam à capital Kiev ou a oeste do país.

"Os que não puderem seguir viagem para oeste por meios próprios ou de modo seguro devem deslocar-se para Kiev e contatar a embaixada assim que possível pelo plantão consular +380 50 384 5484", disse a embaixada por meio de seu canal no Telegram.

"Aos brasileiros que não puderem deixar o país de modo seguro, a embaixada orienta a procurar um local seguro para o momento, longe de bases militares, instalações responsáveis pelo fornecimento de energia e internet e áreas responsáveis pela produção de energia elétrica", escreveu a embaixada mais cedo.

Para os brasileiros atualmente em Kiev, a orientação é não tentar deixar a cidade, diante dos congestionamentos na saída da região. O governo da cidade e de outras regiões na Ucrânia também implementaram um toque de recolher a partir de 22 horas (horário local).

"Aos brasileiros em Kiev, a recomendação das autoridades ucranianas, no momento, é não sair, tendo em conta grandes engarrafamentos nas saídas da cidade. Os brasileiros que buscarem deixar a cidade nesse momento devem contar com grandes dificuldades. Solicita-se aguardar novas instruções da embaixada", disse a embaixada.

O Itamaraty informou que embaixadas em países próximos (Moscou, na Rússia, Minsk, em Belarus, Bucareste, na Romênia e Bratslav, na Polônia) também estão em regime de plantão para atender a brasileiros que porventura se refugiem nesses países.

A evacuação a ser organizada pelo Brasil, quando ocorrer, também estará aberta a vizinhos da Argentina, do Chile, Uruguai e Paraguai, segundo o Itamaraty. Os nacionais desses países estão recebendo as mesmas orientações dos brasileiros.

Posição do Itamaraty sobre o conflito

O diretor de comunicação social do Itamaraty, ministro Adriano Pucci, afirmou nesta quinta-feira que a posição brasileira no conflito da Rússia com a Ucrânia é de "equilíbrio" e de buscar "viabilizar a paz".

"A posição do Brasil é de equilíbrio, de apego inafastável ao Direito Internacional, às resoluções pertinentes do Conselho de Segurança da ONU", disse. "O Brasil não pretende contribuir para rufar os tambores de guerra. A posição do Brasil é de viabilizar a paz a qualquer momento, de acordo com a nossa Constituição e de acordo com a Carta das Nações Unidas."

O Brasil tem sido pressionado pela comunidade internacional para adotar uma postura mais dura contra a Rússia e para condenar a ação militar do presidente Vladimir Putin.

O presidente Jair Bolsonaro se manifestou na tarde desta quinta-feira, pelo Twitter, mas sem citar o conflito. Ele disse que está "totalmente empenhado no esforço de proteger e auxiliar os brasileiros que estão na Ucrânia". 

Bolsonaro esteve em Moscou para visita a Putin neste mês, dias antes do início da ação militar em solo ucraniano.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)