Grande SP prevê 45 mil casos de coronavírus em 4 meses, diz infectologista

Informações foram amplamente disseminadas nesta quinta-feira por meio de um áudio gravado por Fábio Jatene; David Uip confirmou a veracidade dos dados

São Paulo - O infectologista David Uip, responsável pela coordenação de um comitê de contingenciamento para enfrentar a chegada do coronavírus em São Paulo, disse em uma reunião no Instituto do Coração (InCor) nesta semana que o número de casos confirmados da doença deve explodir no estado, onde são esperados até 45 mil confirmações nos próximos quatro meses só na região metropolitana da capital.

Para todo o estado, são esperados 460 mil casos de Covid-19, ou seja, 1% dos 46 milhões de habitantes, segundo  projeção do Centro de Contingência para o Coronavírus de São Paulo. No cenário mais pessimista 10% dos paulistas (4,6 milhões) contrairão o vírus.

O aumento expressivo do surto na região é esperado, segundo ele, porque a transmissão não é mais feita somente por pessoas que foram viajar para países onde há foco da doença. Após esse período de "explosão" no número de casos, porém, "se resolve tudo", segundo Uip.

A informação sobre as 45 mil confirmações foi amplamente disseminada nesta quinta-feira (12) por meio de um áudio gravado por Fábio Jatene, professor titular de cirurgia torácica da USP, do HC e do Incor e, posteriormente, foi confirmada por Uip em coletiva de imprensa.

Segundo o governo do estado, porém, os cenarios serão avaliados constantemente e o planejamento de leitos e medidas poderão ser revistos.

No áudio, Jatene diz que, além do ex-secretário de Saúde, estava entre os participantes da reunião o intensivista Marcelo Amato, especializado em Unidade de Terapia Intensiva (UTIs). Amato teria dito no encontro que a evolução do coronavírus demandará de 10 mil a 11 mil leitos de UTI, número superior à oferta atual.

Amato falou também sobre o cenário na Itália que, com unidades intensivas lotadas, tem acomodado os pacientes contaminados em centros cirurgicos.

Os especiastas ressaltaram também no encontro que o Covid-19 atinge com mais força idosos, para os quais a taxa de mortalidade já chega a 18%. Entre jovens, esse número é de 0,2%. A recomendação é que pessoas do grupo de risco evitem sair de casa.

Foram compartilhadas na ocasião imagens de tomografia de pacientes chineses contaminados com o vírus e de brasileiros. Além da semelhança dos casos, notou-se que, muitas vezes, o raio-x não é suficiente para captar a evolução da doença.

Evolução do surto

O ministério da Saúde já confirmou 98 casos de contaminação pelo Covid-19 em todo o Brasil, segundo balanço divulgado pelo no fim da tarde desta sexta-feira, 13. O número de suspeitos está em 1.485.

O estado mais populoso do país, São Paulo, continua com o maior número de casos (56). O Rio de Janeiro aparece em segundo lugar com 16.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou nesta semana o status do Codiv-19 de “ameaça muito grave” para o de pandemia. A doença que começou a se manifestar na China em dezembro já chegou a 116 países, deixou quase 5 mil mortes e já excedeu 130 mil contaminações pelo mundo — a maioria no país asiático, na Itália e no Irã.

 

Obrigado por ler a EXAME! Que tal se tornar assinante?


Tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo de seu dia. Em poucos minutos, você cria sua conta e continua lendo esta matéria. Vamos lá?


Falta pouco para você liberar seu acesso.

exame digital

R$ 12,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser.

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.
Assine

exame digital + impressa

R$ 29,90/mês
  • Acesse onde e quando quiser

  • Acesso ilimitado a conteúdos exclusivos sobre macroeconomia, mercados, carreira, empreendedorismo, tecnologia e finanças.

  • Edição impressa mensal.

  • Frete grátis
Assine

Já é assinante? Entre aqui.