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Flávio Bolsonaro não contactou USTR sobre tarifaço, diz integrante do governo Trump

Tarifaço de 25% sobre exportações brasileiras aos EUA começa a valer em 22 de julho

O senador Flávio Bolsonaro (PR-RJ) e o presidente dos EUA, Donald Trump (Eduardo Bolsonaro/X/Reprodução)

O senador Flávio Bolsonaro (PR-RJ) e o presidente dos EUA, Donald Trump (Eduardo Bolsonaro/X/Reprodução)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 16 de julho de 2026 às 00h08.

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Apesar de ter participado de uma audiência pública em 7 de julho realizada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), em Washington, o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não contatou nem o chefe do órgão, Jamieson Greer, nem a equipe técnica, para tratar do tarifaço, segundo um integrante do governo Trump.

Em uma participação de aproximadamente cinco minutos, Flávio Bolsonaro pediu o adiamento da aplicação das tarifas ao Brasil, o que lhe rendeu críticas do governo Lula por não ter solicitado claramente a não aplicação das medidas.

Nesta quarta-feira, 15, o USTR anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre as exportações brasileiras a partir de 22 de julho, mas incluiu na lista de isenções componentes aeroespaciais, além de commodities como carne e café. Esses itens já haviam ficado de fora do primeiro tarifaço, no ano passado.

Reservadamente, o oficial do USTR afirmou que Flávio não teve qualquer encontro com a equipe do órgão americano. Flávio tem buscado se desvencilhar da imagem de promotor do tarifaço contra as exportações brasileiras e chegou a enviar um ofício ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no início de junho, pedindo que as tarifas fossem adiadas. O americano respondeu em 26 de junho, indicando que o USTR promoveria a audiência pública.

A participação de Flávio no evento em Washington foi inusual, uma vez que esse tipo de audiência não costuma contar com a manifestação de autoridades dos países investigados no âmbito da Seção 301, e sim de empresas e entidades privadas interessadas no tema em discussão.

Em seu discurso, o senador foi um dos poucos a se manifestar sem pedir claramente a desistência do tarifaço. Em resposta à sua participação no evento, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República acusou-o, em nota, de legitimar uma investigação injusta contra o Brasil.

"Das 44 intervenções de estadunidenses (na audiência pública do USTR), 30 são contra o tarifaço e 14 a favor. Entre os 34 brasileiros inscritos, só Flávio Bolsonaro não se posicionou contrário às medidas contra o Brasil, optando por sugerir o adiamento delas, com claro objetivo eleitoreiro", disse o documento.

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