Moraes determinou a prisão de outros 10 condenados pelo 8 de janeiro (Gustavo Moreno/STF/Divulgação)
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Publicado em 27 de dezembro de 2025 às 14h38.
Última atualização em 27 de dezembro de 2025 às 15h17.
As 10 prisões domiciliares determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes neste sábado, 27, representam uma nova leva de detenções de condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Até o momento, apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro e os outros integrantes do chamado “núcleo central” do caso estavam detidos, enquanto os demais aguardavam em liberdade o julgamento de recursos e ainda tentavam reverter a situação.
Após o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques ser detido no Paraguai em meio a uma tentativa de fuga, porém, Moraes determinou a prisão domiciliar e a imposição de medidas cautelares de réus dos núcleos 2, 3 e 4 da trama golpista.
Entre eles estão Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais do governo Bolsonaro, e Marília Alencar, ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça. Ambos integravam o segundo núcleo, responsável por coordenar ações de monitoramento de autoridades públicas, manter contato com lideranças dos ataques de 8 de janeiro e por elaborar a chamada minuta do golpe.
Os três presos do núcleo 3, por sua vez, foram condenados, segundo do Supremo, porque participaram do planejamento de ações “mais violentas”, como um plano para assassinar autoridades. Já o núcleo 4 foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e condenado por disseminar notícias fraudulentas para criar instabilidade institucional.
O ministro determinou outras medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica e veto para uso de redes sociais. As prisões decretadas neste sábado ainda não representam o início do cumprimento da pena, que se iniciará após os processos contra eles transitarem em julgado, ou seja, quando tiverem sido analisados todos os recursos possíveis.
Dos alvos da decisão de Moraes, a Polícia Federal ainda não encontrou Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal, condenado a 7 anos e 6 meses em regime semiaberto.
Núcleo 2
Filipe Martins - ex-assessor especial de Assuntos Internacionais de Bolsonaro, condenado a uma pena de 21 anos de prisão;
Marília Alencar - ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça na gestão de Anderson Torres, condenada a 8 anos e seis meses de prisão.
Núcleo 3
Bernardo Romão Corrêa Netto - coronel do Exército, condenado a 17 a de prisãonos;
Fabrício Moreira de Bastos - coronel do Exército, condenado 16 anos de prisão;
Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros - tenente-coronel do Exército, condenado 17 anos de prisão;
O núcleo 4
Ângelo Denicoli - major da reserva do Exército, condenado a 17 anos de prisão;
Giancarlo Rodrigues - subtenente do Exército, condenado a 14 anos de prisão;
Guilherme Marques Almeida - tenente-coronel do Exército, condenado a 13 anos e 6 meses de prisão;
Ailton Gonçalves Moraes Barros - ex-major do Exército, condenado a 13 anos e 6 meses de prisão.