Esquema para fraudar licitações na saúde do Rio tem mais de cem laranjas

Polícia Federal investiga se empresário preso no Rio usava diferentes organizações sociais para burlar licitações

As investigações da segunda fase da Operação Favorito, desencadeada no último dia 14 pela força-tarefa da Lava-Jato no Rio, mostram que o empresário Mário Peixoto, um dos presos na ação, usou um exército de cem laranjas em possíveis fraudes no sistema público de Saúde do estado, entre elas, a descoberta no contrato de construção e gestão de hospitais de campanha destinados ao tratamento de vítimas do novo coronavírus. Nas apreensões da Polícia Federal nas casas de cinco presos, foram encontradas pilhas de documentos que citam empresas do grupo e bens que nunca figuraram nas declarações de renda dos envolvidos.

Os investigadores se baseiam em atas de constituição de empresas e em novos contratos apreendidos de organizações sociais (OSs). O esquema foi montado nos últimos 12 anos, tempo em que o empresário transita pelo poder, desde a gestão do ex-governador Sérgio Cabral, preso por corrupção passiva e formação de quadrilha, até a atual administração de Wilson Witzel.

— Já tínhamos material das quebras do sigilo bancário, fiscal e telemático do início das investigação, em 2019. Percebemos que o esquema era criar organizações sociais desvinculadas do nome do chefe do grupo, com o uso de “laranjas”. Em 2012, com as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) descentralizadas, estado e municípios passaram a recorrer às OSs para a prestação de serviços. Criou-se um esquema para desviar recurso público — disse a titular da Delegacia de Combate à Corrupção da Polícia Federal, Fernanda de Aguiar.

Witzel nega envolvimento

O Ministério Público Federal, a PF e a Receita Federal estimam que o montante desviado ultrapasse R$ 1 bilhão.

Na semana passada, a Operação Placebo, desencadeada a partir da Favorito, bateu à porta do governador. No Palácio Laranjeiras, residência oficial de Witzel, a PF apreendeu documentos, pendrives, HDs e celulares (o do próprio governador e da primeira-dama, Helena Witzel).

Helena teria recebido pagamentos da empresa DPAD Serviços de Diagnósticos LTDA, que tem como sócios Alessandro Duarte e Juan Elias Neves de Paula. Alessandro, que também aparece como um dos donos da Rio de Janeiro Serviços e Comércio LTDA, seria operador financeiro de Peixoto, segundo o MPF. Os dois foram presos na Favorito. Segundo as investigações, a empresa repassava ao escritório de advocacia de Helena pagamentos mensais de R$ 15 mil. Witzel nega ter qualquer envolvimento nas fraudes.

Na Placebo, houve busca e apreensão nas casas do ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos e do ex-subsecretário da pasta Gabriel Neves — preso em outro inquérito sobre compra superfaturada de respiradores na pandemia. Por ter foro privilegiado, Witzel é investigado, sob sigilo, no Superior Tribunal de Justiça.

No computador de Alessandro Duarte, havia planilhas sobre os sete hospitais de campanha, então geridos pelo Instituto de Atuação Básica e Avançada à Saúde (Iabas), afastado na quarta-feira por Witzel.

— Não é descabida a possibilidade da Iabas ter ligação com o grupo de Mário Peixoto — ressaltou a delegada.

Morador de Miami, nos EUA, Peixoto só foi preso porque veio para o Rio fugindo da pandemia de corona vírus. Ele foi preso em uma mansão na Praia de Monsuaba, em Angra dos Reis, com piscina e píer particular. Em nota, os advogados Afonso Destri e Alexandre Lopes, que defendem Mário Peixoto, afirmam que ele é inocente e não tem ligação com o Iabas.

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