Dilma diz que fará plano nacional de transporte urbano

Em cadeia nacional, a presidente falou sobre a onda de protestos e anunciou disposição de tomar medidas sobre transporte público, educação e saúde

	A presidente Dilma Rousseff anunciou que faria pronunciamento sobre as manifestações após reunião com ministros na manhã desta sexta-feira
 (REUTERS/Claudio Reyes)
A presidente Dilma Rousseff anunciou que faria pronunciamento sobre as manifestações após reunião com ministros na manhã desta sexta-feira (REUTERS/Claudio Reyes)
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Luísa MeloPublicado em 21/06/2013 às 23:07.

São Paulo -  Em pronunciamento em cadeia nacional para responder à onda de protestos que ocorre em todo o Brasil, a presidente Dilma Rousseff anunciou que tomará medidas efetivas para atender às reivindicações populares. 

Dilma garantiu que irá convocar governadores e prefeitos para juntos elaborarem um Plano Nacional de Mobilidade Urbana. Ela frisou também que lutará para aprovar a destinação de 100% dos royalties do petróleo para a educação, proposta já em discussão no Congresso; e para trazer médicos do exterior para ampliar o atendimento do SUS.

Ela prometeu ainda receber os líderes das manifestações pacíficas e ressaltou a contribuiçao dos movimentos para "oxigenar" o sistema político. "Precisamos de suas reflexões e experiências. De sua energia e criatividade, de sua aposta no futura e sua capacidade de questionar erros do passado e do presente".

A presidente também afirmou que, como medida de combate à corrupção -- do que disse "não abrir mão" --  irá ampliar a lei de acesso à informação a "todos os poderes da república e instâncias federativas". "A melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor", destacou.

Em esclarecimento aos gastos com a Copa do Mundo de 2014, Dilma frisou que o dinheiro para os investimentos não foi retirado do orçamento público federal. Ela explicou que foram feitos financiamentos que serão pagos pelas concessionárias que vão administrar os estádios. 

Dilma também fez um apelo para que os brasileiros tratem bem os estrangeiros durante os jogos do Mundial. Ela destacou que o Brasil sempre foi bem recebido em outras competições e que, por isso, "precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles", e pediu para que eles sejam tratados com "respeito, carinho e alegria". 

A presidente destacou a importância dos protestos para a democracia, no que chamou de "uma oportunidade histórica", mas disse que é preciso cuidado para que a violência de uma pequena minoria não "manche" o movimento. Ela disse que todos os órgãos do Estado irão trabalhar para coibir o vandalismo "dentro dos limites da lei, mas com firmeza". "Vamos manter a ordem".

Dilma aproveitou também para reforçar que os partidos e o voto popular são "base de qualquer processo democrático", em uma clara resposta às manifestações em que militantes de legendas foram hostilizados e impedidos de erguer bandeiras. 


Por fim, a presidente reforçou que está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança, mas que não vai compactuar com a "violência e a arruaça".

As manifestações, que começaram, no início do mês, pedindo a redução do aumento das tarifas do transporte, passaram a incluir uma ampla gama de reivindicações, incluindo a melhoria dos serviços públicos em geral, o combate à corrupção e esclarecimentos sobre os gastos com a Copa do Mundo de 2014.

Mesmo com o valor das passagens reduzido em diversas capitais -- São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Curitiba, Vitória, Goiânia, Cuiabá, Aracaju, Natal -- na quinta-feira, mais de 1 milhão de pessoas saíram às ruas de todo o país. 

Em Brasília, as manifestações terminaram violentas e um grupo tentou invadir a rampa de acesso ao Palácio do Planalto e também o Palácio do Itamaraty, onde houve um príncipio de incêndio. Trinta e uma pessoas ficaram feridas na capital federal, segundo o Samu. Os protestos também foram marcados pela violência no Rio de Janeiro, Belém, Campinas, Porto Alegre e Salvador.

Nesta sexta-feira, oito importantes rodovias do Estado de São Paulo foram bloqueadas por manisfestantes. Na capital, os integrantes do Movimento Passe Livre (MPL), que iniciou os protestos pela revogação do aumento da passagem, desistiram de realizar novos atos. Segundo lideranças, grupos conservadores se infiltraram nas manifestações para defender propostas com as quais  o MPL não se identifica, como a redução da maioridade penal.

Atualizada às 22h38