Os planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelo candidato à reeleição, presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) indicam diretrizes divergentes para a condução da política econômica no próximo mandato.
O programa governista prioriza a continuidade do novo arcabouço fiscal, o fortalecimento de políticas industriais e a ampliação do crédito público. A proposta oposicionista foca no enxugamento da máquina estatal, desregulamentação e revisão de tributos.
Os dois documentos expõem visões antagônicas quanto ao papel do Estado na economia, na tributação e na atração de investimentos para a próxima década. Veja abaixo:
O plano de Flávio Bolsonaro para os próximos quatro anos:
O programa da candidatura de Flávio Bolsonaro centraliza diretrizes na redução de gastos operacionais e na atração de capital privado. Estipula como meta dobrar o ritmo histórico de crescimento do país para 4% ao ano.
Entre os principais pontos propostos pelo plano do liberal estão:
- Reforma tributária e IVA: crítica à alíquota projetada em torno de 30% para o Imposto sobre Valor Agregado (IVA). O plano propõe revisar a reforma aprovada para limitar a alíquota, desonerar investimentos, zerar tributos sobre combustíveis e energia elétrica e eliminar o IOF sobre operações cambiais para atender a parâmetros da OCDE.
- "Tesouraço" e corte de gastos: extinção de pelo menos dez ministérios, redução de despesas administrativas e cargos comissionados, além da eliminação de supersalários. Preve a desregulamentação por meio do "Tesouraço na Burocracia" e a extinção de estruturas voltadas ao controle de conteúdo no "Tesouraço na Censura".
- Regras fiscais e desestatização: substituição das regras atuais por teto rígido para gastos discricionários em todos os Poderes e metas de redução da relação dívida/PIB, acompanhadas da retomada do Programa Nacional de Desestatização.
- Indústria e Mineração: Foco no processamento de minerais estratégicos (lítio, nióbio, cobre e terras-raras) integrado à oferta de energia limpa para abastecer data centers e indústrias de alta tecnologia, ao lado de prazos fixos para licenciamento ambiental.
O plano de Lula para os próximos quatro anos
A proposta de governo do presidente Lula baseia-se na defesa do histórico da atual gestão, destacando o esforço de recomposição fiscal de 2% do PIB (cerca de R$ 240 bilhões) e a busca pela neutralidade das contas públicas.
Os eixos econômicos apresentados pelo petista incluem:
- Responsabilidade fiscal e juros: Manutenção das regras do arcabouço fiscal aprovado em sua gestão para reduzir o déficit primário — com projeção de encerrar 2026 em 0,4% do PIB — criando espaço para a redução sustentada das taxas de juros.
- Mercado de capitais e crédito: Fortalecimento dos programas federais de microcrédito e financiamento (Pronampe, Acredita e Procred 360) com montantes superiores a R$ 130 bilhões, além de aprimoramentos em debêntures de infraestrutura e fundos de participação.
- Neoindustrialização e Inovação: Consolidação da política industrial voltada à inteligência artificial, minerais críticos, transição energética e inovação tecnológica de maior valor agregado no parque fabril nacional.
- Investimento em Infraestrutura: Expansão dos aportes públicos e estímulo à parceria privada em infraestrutura logística e social para aumentar a competitividade e garantir a prestação de serviços básicos.