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É inadmissível o flerte com autoritarismo, diz Joice sobre Eduardo

Deputada afirmou que discurso do filho do presidente segue um caminho já percorrido pela ditadura militar, regime pelo qual Joice também já mostrou simpatia

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Joice Hasselmann: deputada criticou as declarações do filho do presidente sobre repressão às manifestações (José Cruz/Agência Brasil)

Joice Hasselmann: deputada criticou as declarações do filho do presidente sobre repressão às manifestações (José Cruz/Agência Brasil)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 31 de outubro de 2019, 16h20.

Última atualização em 31 de outubro de 2019, 17h47.

A deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), que é ex-líder do governo no Congresso, foi ao Twitter para criticar o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que sugeriu em entrevista à jornalista Leda Nagle um "novo AI-5" no Brasil como uma resposta a uma eventual radicalização da esquerda.

"Atentar contra a democracia é crime! Está no artigo 5º da Constituição Federal. É inadmissível o flerte escancarado com o autoritarismo, em especial vindo de um deputado federal e filho do presidente da República", tuitou Joice, que trava com Eduardo uma batalha interna no diretório paulista do PSL.

Segundo Joice, a fala de Eduardo deixa "claro o que essa gente quer". "O AI-5 cassou mandatos, suspendeu direitos, e instituiu censura: o sonho dos autoritários. O sonho do clã. Não podemos permitir esse grave ataque à democracia", escreveu a parlamentar.

Para a deputada, o discurso levado adiante por Eduardo segue um caminho já percorrido pela Ditadura Militar. "Sigam as pistas: radicalização do discurso, ataque desenfreado a qualquer um que defenda a democracia, interferência em outros Poderes, construção da narrativa de que é preciso impedir o inimigo a tomar o poder". Segundo Joice, o inimigo seria "qualquer um de esquerda, direita, ou centro que defenda as liberdades".

Apesar das críticas, Joice já mostrou, no passado recente, simpatia pelo regime militar. Em 25 de março, publicou no Twitter uma foto na qual aparece ao lado de integrantes das Forças Armadas, comentando a decisão do presidente Bolsonaro de comemorar o aniversário do golpe de 31 de março.

"A partir deste ano, o Brasil irá comemorar o aniversário do 31 de março de 1964. A data foi incluída na ordem do dia das FFAA e cada comandante decidirá como deve ser feita. É a retomada da narrativa verdadeira de nossa história. Orgulho", escreveu. Respondendo a seguidores que a criticaram na ocasião, escreveu: "O choro é livre e graças aos militares, o Brasil também!"

Deputados do PSL, ligados ao presidente do partido, Luciano Bivar (PE), também divulgaram declarações criticando a fala. "O filho do presidente calado é um poeta", disse o principal porta-voz de Bivar, Junior Bozzella (PSL-SP), em nota.

"Repudiamos qualquer tentativa de golpe. O primeiro golpe foi tentar tomar o PSL, o segundo foi usar o Palácio do Planalto para tomar a liderança do partido e agora flerta com um novo AI-5 para instaurar uma ditadura no País", afirmou Bozzella.

Já o senador Major Olimpio (PSL-SP) divulgou um vídeo. "Acho lamentável no dia de hoje discutir ato semelhante ao AI-5 de 1968", afirmou. "Como um parlamentar vai defender o fechamento do Congresso?", completou. Para outro deputado do PSL, o Coronel Tadeu, falar em ato institucional na época atual "é algo inimaginável".

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