Brasil

Durigan diz que superávit de 2027 tem de ser patamar mínimo para anos seguintes

Ministro também defendeu novas revisões de benefícios tributários em anos seguintes

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante sua participação no MacroDay de 2026 (Divulgação)

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante sua participação no MacroDay de 2026 (Divulgação)

Ivan Martínez-Vargas
Ivan Martínez-Vargas

Repórter especial em Brasília

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 11h28.

Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 11h52.

Priorizar nos meus resultados Google

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 31, que o superávit primário previsto para 2027, de 0,1% do PIB, será o patamar mínimo para os anos seguintes em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro também defendeu novas revisões lineares de benefícios fiscais para 2027.

"Não podemos regredir. Se vamos conseguir um superávit primário no país no ano que vem, e ele foi (previsto) a duras penas, ele tem de ser patamar para superávits primários maiores. Se a gente começou a fazer a revisão do benefício fiscal, não pode voltar atrás. Temos de seguir: se neste ano estamos fazendo 10% de revisão (de benefícios fiscais), vamos fazer mais 10% ou 5% que seja no ano que vem e 5% no outro, criando uma cultura para isso", afirmou o ministro da Fazenda.

Durigan fez referência ao corte linear de 10% em benefícios tributários não constitucionais feito neste ano, que deve garantir, neste ano, uma arrecadação de aproximadamente R$ 20 bilhões.

As declarações foram feitas a uma plateia de investidores, executivos e empresários reunidos no Macro Day, evento promovido pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Durigan destacou que a principal preocupação do governo é a taxa de juros elevada e disse que a política fiscal de um novo mandato deve buscar reduzir o custo do dinheiro para viabilizar uma retomada dos investimentos privados e, em menor medida, dos públicos no país. A taxa básica de juros atual é de 14%.

"O tema do custo do dinheiro, do custo do crédito no Brasil, preocupa, sem dúvida. Temos que fazer avançar uma agenda que é olhar para essa milha final, como a gente traz os juros para um patamar civilizado dentro de um debate que tem que ser feito com as instituições", disse.

O ministro destacou que o Projeto de Lei de Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, que será enviado ainda nesta segunda-feira, 31, ao Congresso, prevê um crescimento de despesas obrigatórias menor do que a correção do teto de gastos.

"Lula precisou voltar para a presidência para fazer um encontro de contas, com todo o desafio de retomada das políticas, para devolver um orçamento sem armadilha, sem esconder despesa, com tudo o que está anunciado e previsto no orçamento, com superávit primário previsto para 2027. E de 2027 em diante, acreditem, nós vamos passar a ter superávits primários crescentes e recorrentes", afirmou Durigan.

Durigan também defendeu o que chamou de um aprimoramento da atual regra do arcabouço fiscal, mas não um novo regramento. A norma atual limita o crescimento dos gastos a, no máximo, 2,5% acima da inflação.

"Defendo que a gente não troque a regra fiscal, que a gente a reforce e a aprimore em três submedidas. Dando racionalidade para a gente fortalecer a regra em detrimento de regras internas muitas vezes contraditórias à regra fiscal. A segunda é o controle de gastos obrigatórios. Para 2027, o Brasil vai crescer em termos de limite de gastos, mas o gasto obrigatório cresce menos que o limite geral. A gente já está acomodando, mas precisamos fazer mais. O gasto obrigatório ainda é um gasto que consome bastante do orçamento. A terceira submedida é seguir fazendo a revisão dos benefícios tributários", disse o ministro da Fazenda.

Ajuste fiscal no próximo governo

Questionado sobre a necessidade de um ajuste fiscal, Durigan disse que já tem buscado fazer um ajuste, mas que precisa fazê-lo por meio de um diálogo político. O ministro defendeu que estados e municípios também façam ajustes.

"O trabalho que eu faço é melhorar a situação fiscal do país todo dia com respeito democrático. Não vou olhar para uma planilha dizer 'vou buscar isso aqui a todo custo, independentemente do diálogo (com o Congresso)'. Tenho que buscar o diálogo. A gente gostaria de ter feito um ajuste fiscal mais rápido e mais forte. O tempo todo a gente buscou isso", disse.

Durigan ressaltou que conseguiu evitar que o Congresso aprovasse pautas-bomba, que trariam consequências bilionárias para os cofres públicos, neste ano, à exceção da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê aposentadoria especial para agentes de saúde, que tem impacto previsto de aproximadamente R$ 28 bilhões em dez anos.

yt thumbnail
Acompanhe tudo sobre:Governo LulaSelicJurosDario Durigan

Mais de Brasil

7 de setembro: como foi a mobilização da direita nos últimos 4 anos na Paulista

Em Copacabana, Cury manda abraço a Mendonça e pede transparência no STF

Renan diz que discurso de Cury é 'ainda pior' que o de Lula e Flávio

Zema chama Moraes de 'bandido' e elogia Cármen Lúcia