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800 prefeitos e viagens pelo Brasil: a estratégia de Caiado para crescer nas pesquisas

Ex-governador de Goiás intensifica agenda de viagens e aposta na capilaridade do PSD, que elegeu mais de 800 prefeitos em 2024, para ampliar sua presença nacional antes de 2026

Caiado: ex-governador aposta em estrutura partidária para avançar nas pesquisas (Marina Ramos/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

Caiado: ex-governador aposta em estrutura partidária para avançar nas pesquisas (Marina Ramos/Câmara dos Deputados/Agência Câmara)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 6 de junho de 2026 às 08h00.

O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), tem intensificado uma agenda de viagens pelo país em meio ao desafio de tornar sua candidatura presidencial competitiva.

Ainda distante dos líderes nas pesquisas de intenção de voto, com 3% a 4% de intenções de voto, Caiado aposta na construção de alianças regionais e na estrutura municipal do partido para ampliar sua presença política.

A estratégia passa por uma maratona de encontros com prefeitos e lideranças locais em diferentes estados brasileiros.

Nas últimas semanas, Caiado esteve em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e tem concentrado parte da agenda em Minas Gerais. O objetivo é reunir prefeitos em cidades-polo e ampliar a interlocução com lideranças municipais.

"Cada vez mais queremos chegar às regionais de Minas Gerais e atender, em uma cidade-polo, dezenas de prefeitos daquela região", afirmou durante agenda no estado no início dessa semana.

Caiado disse que deve finalizar a agenda no Sul, com agendas no Paraná, ao lado do governador Ratinho Jr. (PSD), antes de seguir para o Nordeste.

O movimento ocorre em um momento em que o PSD tenta consolidar uma candidatura própria à Presidência e também discute quem será o vice da chapa.

A legenda saiu das eleições municipais de 2024 com mais de 800 prefeitos eleitos, uma das maiores estruturas municipais do país.

Mas a força numérica também traz um desafio político.

O PSD reúne lideranças com posicionamentos políticos distintos em relação à disputa nacional.

Em parte do Nordeste, prefeitos e dirigentes mantêm proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, há quadros mais próximos do eleitorado conservador e de lideranças ligadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, já sinalizou que os diretórios estaduais terão autonomia para definir alianças locais, para preservar a característica histórica da legenda de acomodar diferentes correntes políticas e ser competitiva na disputa.

Na prática, isso significa que nem todos os prefeitos e lideranças do PSD estarão automaticamente alinhados à candidatura de Caiado.

A situação se repete entre os principais nomes do partido. O ex-prefeito do Rio de Janeiro e candidato ao governo do estado fluminense, Eduardo Paes, tem uma relação política próxima ao presidente Lula e já manifestou publicamente apoio ao petista.

Em São Paulo, Kassab integrou o governo e apoiará a reeleição do governador Tarcísio de Freitas, que apoiará o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Viagens buscam reduzir déficit de conhecimento nacional

O próprio Caiado já admitiu em entrevistas que a principal barreira da candidatura neste momento não é apenas eleitoral, mas de conhecimento do eleitor.

Mesmo sendo o governador com maior aprovação do Brasil, a maioria das pesquisas eleitorais divulgadas até o momento mostra que a população não conhece Caiado.

Por isso, a estratégia tem privilegiado agendas presenciais e encontros regionais. O cálculo do ex-governador é que a ampla rede municipal do PSD pode servir como ponto de partida para ampliar sua presença nacional e consolidar apoios antes da definição do quadro eleitoral de 2026.

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