O presidente da Câmara, Hugo Motta (Marina Ramos/Agência Câmara)
Repórter de internacional e economia
Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 14h46.
Última atualização em 10 de fevereiro de 2026 às 14h51.
Para Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, a possibilidade de o presidente Lula (PT) formar uma chapa com um candidato a vice do MDB ou de outra legenda de centro tem levado os líderes partidários a reverem seus cálculos para as eleições de 2026.
"As sinalizações também do presidente Lula de querer dialogar com os partidos de centro, embolam um pouco esse jogo", disse Motta, durante painel do evento CEO Conference, realizado pelo banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
"Os presidentes de partido irão aguardar um pouco para poderem se definir. Falo aqui da Federação União Brasil-Progressistas, falo aqui pelo Republicanos, pelo Podemos, PSDB. Esses partidos todos estão observando as movimentações para que só mais à frente, após a janela partidária, possam desenhar qual caminho irão percorrer". afirmou.
Motta afirmou que é cedo para fazer previsões e declarar posições, mas que as conversas estão em aberto.
"Tanto o presidente Lula, como essa candidatura do PSD, como a candidatura do senador Flávio [Bolsonaro] irão procurar esses partidos de centro para tentar compor. Todos eles estão com a chapa em aberto. Só vamos saber de fato o que cada partido vai fazer um pouco mais na frente quando essas candidaturas estiverem melhor desenhadas e mais consolidadas", afirmou.
Motta disse, ainda, que a candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está ficando mais consolidada, e que a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) disputar o comando do país tem diminuído.
"Observo o cenário político nacional cada vez mais se consolidando, com a candidatura já posta no campo da esquerda do presidente Lula à reeleição e no campo da direita o senador Flávio Bolsonaro se consolidando como o candidato do PL", disse.
"Até o lançamento do nome do senador Flávio, havia a expectativa e toda uma sinalização que o governador de São Paulo, que é do nosso partido, Tarcísio [de Freitas], pudesse disputar a eleição de presidente. Eu vejo que esse cenário está cada vez mais distante", prosseguiu. "Penso que Tarcísio já sinaliza e anuncia que o seu projeto deve ser de reeleição em São Paulo, aonde ele realiza um belíssimo trabalho", afirmou.
Motta disse também esperar que seja apresentada uma candidatura de centro-direita pelo PSD, partido que reúne três presidenciáveis, os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Jr (PR) e Ronaldo Caiado (GO).
"Temos que aguardar um pouco para ver primeiro se esses governadores vão mesmo se afastar e aí, se afastando, quem se dispõe para um processo de eleição nacional. Há dúvida sobre a candidatura do PSD. Me parece, pelos anúncios feitos, que o PSD terá a candidatura", afirmou.
O líder da Câmara também falou sobre a agenda legislativa. Ele disse que as prioridades de votação na Casa para as próximas semanas são as PECs da Segurança Pública, da escala 6x1 e a aprovação do acordo UE-Mercosul, que precisa ter o aval do Brasil formalizado no Congresso.
"Devemos agora, após o Carnaval, retomar este tema [a PEC da Segurança]. Espero que, passando na Comissão Especial, possamos levar ao Plenário a pauta da segurança pública, uma pauta inadiável", afirmou Motta, durante painel do evento CEO Conference, realizado pelo banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
"A sociedade cobra e isso só será possível darmos essa resposta se tivermos a integração dos nossos sistemas de segurança, a capacidade de integrar os municípios, Estados com o Governo Federal, aumentando o financiamento, garantindo uma estratégia de investimento em inteligência, no monitoramento das fronteiras, no enfrentamento ao crime organizado, além de revisar o nosso sistema prisional, fortalecer e valorizar as nossas polícias", disse.
Sobre a PEC 6x1, Motta disse que a votação deverá ocorrer em três meses. "Quem sabe, já na semana seguinte ao Carnaval, teremos aí o relator escolhido, daremos o prazo para que a CCJ [Comissão de Constituição e Justiça] possa discutir a admissibilidade", afirmou.