Datafolha: 59% defendem domiciliar para Bolsonaro; 37% querem que ele volte para presídio (Mateus Bonomi/Anadolu/Getty Images)
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Publicado em 12 de abril de 2026 às 13h28.
Última atualização em 12 de abril de 2026 às 13h29.
Pesquisa Datafolha divulgada neste domingo, 12, aponta que a maioria dos brasileiros defende que o ex-presidente Jair Bolsonaro permaneça em prisão domiciliar. Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados apoiam a manutenção do regime atual, enquanto 37% preferem que ele volte ao sistema prisional. Outros 5% não souberam responder.
O estudo ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios entre os dias 7 e 9 de abril. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-03770/2026 e tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Entre entrevistados com mais de 60 anos, 61% defendem a manutenção da prisão domiciliar. Já entre empresários, o índice chega a 81%.
Entre jovens de 16 a 24 anos, 44% defendem o retorno à prisão, assim como 42% dos desempregados.
No Nordeste, há empate técnico: 48% são favoráveis à prisão domiciliar e 47% à prisão comum, dentro da margem de erro de quatro pontos percentuais.
Entre os que se declaram de centro, 53% apoiam a prisão domiciliar e 41% defendem o retorno ao regime fechado.
Entre os mais alinhados ao bolsonarismo, 94% defendem a permanência em casa, enquanto 3% são contrários.
Já entre os entrevistados que se identificam como mais próximos ao petismo, 28% apoiam a prisão domiciliar e 68% defendem a volta à prisão.
Entre eleitores que afirmam votar em Luiz Inácio Lula da Silva, 30% apoiam a prisão domiciliar e 66% defendem o retorno ao regime fechado. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, 93% apoiam a permanência em casa.
Eleitores de Ronaldo Caiado se dividem entre 80% favoráveis à prisão domiciliar e 15% pela volta à prisão.
Jair Bolsonaro foi condenado em 11 de setembro pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal por participação na trama golpista relacionada ao período posterior às eleições de 2022.
A decisão inclui crimes como tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, participação em organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena definida foi de 27 anos e três meses de prisão em regime inicial fechado, além de 124 dias-multa.
No dia 27, o ex-presidente foi transferido para prisão domiciliar após decisão do ministro do STF Alexandre de Moraes, em caráter temporário de 90 dias. Ao fim desse período, a medida poderá ser prorrogada ou convertida em retorno ao regime fechado.
A decisão foi classificada como humanitária. Bolsonaro deixou o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde estava custodiado.
Ele também foi internado no dia 13 e diagnosticado com broncopneumonia bacteriana nos dois pulmões, atribuída a aspiração decorrente de crises de soluço. Após isso, a defesa solicitou a prisão domiciliar, que foi concedida.
A decisão de Moraes prevê o uso de tornozeleira eletrônica e proíbe o uso de redes sociais, além da gravação de áudios ou vídeos. Também foram restringidas aglomerações em um raio de um quilômetro da residência.
O ex-presidente pode receber filhos sob regras de visita semelhantes às do regime anterior, com visitas autorizadas às quartas e sábados, entre 8h e 16h. Advogados têm acesso diário, por até 30 minutos, mediante agendamento. Médicos têm livre acesso.
Outras visitas estão proibidas durante o período de 90 dias, sob justificativa de preservação da saúde e prevenção de infecções, conforme decisão judicial.