Brasil

Damares diz que governo está preocupado com perseguição a cristãos

Damares, durante o evento, também anunciou a criação de um comitê nacional de liberdade religiosa e de crença

Damares: ministra afirmou que o governo brasileiro está apreensivo com a perseguição aos cristãos no mundo (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Damares: ministra afirmou que o governo brasileiro está apreensivo com a perseguição aos cristãos no mundo (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 19 de julho de 2019 às 18h11.

Priorizar nos meus resultados Google

Em Washington, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, disse que o governo brasileiro está "particularmente apreensivo" com a perseguição contra cristãos em diferentes partes do mundo.

"Não dá mais para admitir a perseguição e morte de tantos cristãos no mundo", disse a ministra, em discurso de quatro minutos durante encontro sobre avanço da liberdade religiosa, realizado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Ela anunciou a criação de um comitê nacional de liberdade religiosa e de crença e também de uma "coordenação nacional para promover iniciativas para garantir o pleno exercício da liberdade religiosa". A ministra não explicou a competência de cada um dos nos órgãos criados e nem detalhou quais iniciativas serão tomadas, mas disse que será dada "atenção especial às religiões de matriz africana", sem citar ataques a esse segmento.

 

As religiões africanas são as mais atingidas por ataques de intolerância religiosa no Brasil, segundo dados do Disque 100, canal do governo para denúncias de violação de direitos. Antes de ir a Washington, Damares, que é evangélica, esteve em Miami e disse durante evento que "já foi para a porta de terreiro proteger o espaço".

Damares afirmou que a liberdade religiosa é um valor central das políticas públicas do país e defendeu a lei sancionada pelo presidente, Jair Bolsonaro, que permite que alunos faltem na escola por motivo religioso.

"É preciso combater narrativas que promovam o ódio e repudiar legislações que restrinjam a liberdade religiosa. Entretanto, essas ações não são apenas responsabilidade dos governos. Os líderes religiosos também desempenham papel central em razão da influência que exercem na sociedade", disse Damares, que criticou também o que chamou de "pequenos atos que manifestam descaso pela crença alheia".

Evento com Damares nos EUA

O uso da liberdade religiosa como pilar da política externa americana ganhou força no governo do presidente Donald Trump, a despeito de o republicano não ser considerado uma pessoa religiosa. Segundo estudo do Pew Research Center, de 2007 a 2017 houve crescimento nas restrições religiosas impostas por governos ao redor do mundo e hostilidades praticadas contra grupos religiosos.

A avaliação corrente nos EUA é de que o tema agrada parte da base eleitoral de Trump, que são os cristãos evangélicos preocupados com a discriminação ao redor do mundo. Críticos do presidente consideram, no entanto, que o governo americano é seletivo na defesa das liberdades ao condenar países como Irã e China sem denunciar abusos cometidos por aliados, como a Arábia Saudita.

Acompanhe tudo sobre:Estados Unidos (EUA)ReligiãoCristãosDamares AlvesMinistério das Mulheres

Mais de Brasil

Flávio Bolsonaro diz que Dark Horse é 'página virada' e tenta associar caso Master a Lula

Advogado de Lulinha se reúne com Lula e critica vazamentos de inquérito sobre filho do presidente

Real Time Big Data: Lula tem 44 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro no Ceará

TSE impede Pablo Marçal de ir a debates e veda uso de fundos eleitoral e partidário pela candidatura