Filho adotivo é expulso de concessionária BMW, afirmam pais

Casal do Rio de Janeiro alega que filho adotivo, negro, foi expulso de uma concessionária da BMW confundido com um pedinte

São Paulo – Por meio de uma denúncia feita no Facebook, um casal do Rio de Janeiro tem chamado a atenção na internet para o que afirma ter sido um caso de preconceito racial em uma concessionária da BMW na Barra da Tijuca.

Ronald Munk e Priscilla Celeste, pais de um menino de 7 anos, negro e adotado, afirmam que no dia 12 de janeiro, sábado, foram todos à concessionária Autokraft para olhar um automóvel.

Chegando lá, segundo o relato dos dois, o garoto ficou em um espaço separado assistindo a um desenho animado na televisão, enquanto eles foram encaminhados pela recepcionista ao gerente de vendas da loja.

Todo o episódio aconteceu quando o garoto foi procurar os pais e se aproximou.

"Você não pode ficar aqui dentro. Aqui não é lugar para você. Saia da loja", teria dito o gerente da concessionária, segundo relato do casal na página do Facebok Preconceito racial não é mal-entendido, criada no último sábado e cujo número de seguidores tem aumentado exponencialmente desde então.

Segundo Priscilla, ambos ficaram alguns minutos sem reação até que o marido interpelou o gerente do porquê de o garoto não poder ficar.

“Porque eles pedem dinheiro, incomodam os clientes. Tem que tirar esses meninos da loja”, disse o homem, segundo o relato dos dois.

Ao saber que se tratava do filho do casal, o gerente teria ficado completamente sem ação, "gaguejando desculpas atrás de nós enquanto saíamos indignados da concessionária”, lembra Priscilla.

Reação

Marido e mulher afirmam que resolveram criar a página depois de aguardarem uma resposta da concessionária, que só chegou uma semana depois. O e-mail recebido, no entanto, foi tratado como uma ofensa ao considerar o caso um “mal-entendido”.

“Assim, no momento em que o seu filho se aproximou do Sr. e de sua esposa, o Sr. (gerente) não se atentou que ele estaria acompanhado dos Srs., até porque, segundo relato do meu funcionário, ele não presenciou qualquer diálogo de vocês com o filho”, afirmou o dono da concessionária na mensagem.


Na avaliação do casal, o caso não comporta interpretações de "mal-entendido".

“O fato de o gerente de vendas não ter percebido que o menino era nosso filho e sua conclusão imediata de que um menino negro, aparentemente sozinho, dentro de uma concessionária BMW, seria um menor desacompanhado e sua atitude de colocá-lo para fora da loja não constituem, em hipótese alguma, um mal-entendido. Trata-se de preconceito de raça, sem qualquer possibilidade de outra interpretação”, escreveu Priscilla no Facebook.

Na semana passada, enquanto o casal ainda aguardava uma resposta da concessionária, recebeu uma mensagem oficial do BMW Group. 

À imprensa, o grupo afirmou hoje que “solicitou esclarecimentos à concessionária” na mesma data em que foi notificado do ocorrido e que enviou ao casal um pedido de desculpas. Mas eximiu-se de qualquer responsabilidade, já que a empresa e a loja são pessoas jurídicas distintas, sendo o BMW Group proibido de “adotar qualquer postura que influencie a gestão administrativa da concessionária”.

EXAME.com entrou em contato com a Autokraft, mas, até o fechamento desta reportagem, não obteve um retorno sobre o acorrido.

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