Covid-19: especialistas deixam comitê de notáveis do governo Witzel

Nesta quinta-feira, Estado do Rio ultrapassou China e Índia — dois países mais populosos do mundo — no número de mortes pelo novo coronavírus

Em momento crucial da pandemia do novo coronavírus, o Estado do Rio sequer conta agora com a ajuda de experts na área para a tomada de decisões: o grupo de 11 notáveis, convidados pelo governador Wilson Witzel, deixou o comitê científico com a saída na semana passada de Edmar Santos da Secretaria estadual de Saúde. Ele é investigado num inquérito que apura superfaturamento na compra de respiradores.

— Todos nós achamos elegante e protocolar colocar as funções à disposição. Não sabemos se o novo secretário vai querer novo conselho — afirmou o epidemiologista Roberto Medronho, da UFRJ, que segue em outro comitê no estado, a Comissão Ciência RJ.

Ex-integrantes do grupo de notáveis dizem que não foram procurados até agora pelo novo secretário, Fernando Ferry. Para o médico sanitarista José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde, com o aprofundamento das denúncias de corrupção na Saúde, seria “muito pouco provável” que houvesse clima para que o comitê continuasse funcionando junto ao secretário e ao governador.

Estado superou China e Índia em número de mortes

Em meio a uma investigação sobre fraudes na Saúde durante a pandemia, o Estado do Rio bateu nesta quinta uma triste marca: superou a China em número de mortos por Covid-19. Já são 4.856 óbitos, enquanto o país asiático — onde os primeiros casos do novo coronavírus foram reportados — contabiliza 4.638 vítimas, de acordo com dados do painel da Johns Hopkins University. O estado também tem também mais mortes que a Índia (4.711). A China e a Índia são os países mais populosos do mundo, com mais de um bilhão de habitantes. Já o Rio tem uma população de 17,2 milhões.

Quadro preocupante

Os números, afirmam especialistas, acendem um sinal de alerta. Pelo último boletim da Secretaria estadual de Saúde, divulgado nesta quinta à noite, em 24 horas foram registradas 251 mortes. É a primeira vez que o Rio tem mais de 200 óbitos por três dias consecutivos. Há ainda 1.286 em investigação. Já os casos confirmados da doença no Rio subiram para 44.886, uma alta de 5,8% em relação ao número divulgado no dia anterior.

— O quadro é preocupante. É algo assustador em termos de mortes, e, na minha opinião, isso é uma prova de que vem ocorrendo um erro na condução dessa pandemia. O principal erro, na minha opinião, foi recomendar que as pessoas com sintomas iniciais da doença permanecessem em casa, quando o mais importante seria iniciar o tratamento precoce — afirma o infectologista Edimilson Migowski, da UFRJ.

Professor do Instituto de Medicina Social da Uerj, Mario Roberto Dal Poz também aponta falhas e diz que não há como afrouxar o distanciamento social neste momento:

— A curva é de ascensão, o que dá mais motivos para o controle do distanciamento social. É preciso fazer todo esforço para que esse quadro não se agrave ainda mais — diz o médico. — Faltam liderança, coordenação e integração nas ações de combate à pandemia. Autoridades da Região Metropolitana e o governo precisam se articular, elaborar um plano estratégico junto também dos conselhos de profissionais.

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