Paulo Gonet, procurador-geral da República (Antonio Augusto/STF/Flickr)
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 20h16.
Última atualização em 15 de setembro de 2026 às 21h25.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) decidiu nesta terça-feira, 15, marcar uma sessão para discutir a abertura de um procedimento sobre as mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Master, que citam o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A reunião será realizada no dia 25 de setembro.
A reunião do CSMPF ocorre após uma representação bancada do Partido Novo na Câmara, de 2 de setembro. O documento, enviado pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) pede ao órgão a designação de um subprocurador-geral da República para atuar em investigações relacionadas ao Banco Master e a Daniel Vorcaro, sob o argumento de que Gonet deveria ser declarado suspeito para atuar nos processos em razão de ser mencionado em mensagens de Vorcaro a Moraes.
Nesta terça-feira, 15, Gonet compareceu à sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF) que iniciou a discussão do processo sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com Vorcaro. Mencionado nas missivas do banqueiro ao ministro do STF, o procurador-geral afirmou que nunca foi próximo de Vorcaro e que teve apenas um "brevíssimo e banal" encontro com ele.
O STF suspendeu o julgamento de Moraes após o ministro Flávio Dino ter pedido vista ainda durante a discussão de uma questão de ordem preliminar proposta pelo decano da Corte, Gilmar Mendes, que propunha que a ação tramitasse em conjunto com o procedimento sobre a conduta de André Mendonça enquanto era relator dos casos Master e INSS.
Gilmar também solicitou que fosse sorteado um novo relator para o caso por considerar que Fachin não poderia, após ter afastado Mendonça da relatoria, ter se proclamado relator. A votação foi suspensa e o placar está em 4 a 3 contra a proposta do decano.
Os diálogos entre Moraes e Vorcaro constam de um relatório elaborado pela Polícia Federal (PF) tornado público em 1º de setembro pelo então relator do caso Master, André Mendonça. No mesmo dia, Gonet protocolou nos autos manifestação em que defendia que o relatório era nulo.
Entre as conversas listadas no relatório da PF, está uma em que Vorcaro pede a Moraes para "reverter" investigações sobre o Master junto a Gonet e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Em manifestação enviada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal, Gonet afirma que só encontrou Vorcaro uma vez, em 2024, durante evento realizado pelo Grupo Voto, com patrocínio do Master, em Londres. A informação foi publicada pelo Portal G1 e confirmada pela EXAME com uma pessoa familiarizada com o tema.