Lula: campanha chama reportagem de 'farsa' (Ricardo Stuckert/Flickr)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 11h35.
Última atualização em 9 de outubro de 2026 às 15h51.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como "farsa" uma reportagem da revista Veja que apresenta acusações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro sobre supostos pagamentos a integrantes do PT e ao Instituto Lula. Segundo a própria publicação, a Procuradoria-Geral da República não deu prosseguimento aos relatos por considerar que não havia provas das acusações. A coligação anunciou que adotará medidas judiciais contra o que classificou como calúnias e eventuais irregularidades na divulgação das informações.
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, classificou como "farsa" e "peça eleitoral irresponsável" uma reportagem da revista Veja que apresenta acusações atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre supostos pagamentos a integrantes do PT e ao Instituto Lula.
Em nota, a coligação Brasil Pronto Para Mais afirmou que a publicação apresenta acusações graves sem provas e anunciou que adotará medidas judiciais.
"É estarrecedor que, a duas semanas do segundo turno das eleições presidenciais, a revista VEJA estampe em sua capa acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova", afirmou a coordenação da campanha. Segundo a nota, a reportagem teria o propósito de tumultuar o processo eleitoral e favorecer o adversário de Lula.
A manifestação ocorre após a revista publicar uma reportagem baseada em áudios, mensagens e documentos atribuídos a Vorcaro, nos quais o banqueiro relata supostas negociações para realizar pagamentos a integrantes do PT em troca de acesso a investimentos de fundos de pensão de estatais federais.
Segundo a própria Veja, a Procuradoria-Geral da República (PGR) não levou adiante as acusações por considerar que não havia provas dos supostos pagamentos, que teriam sido realizados em dinheiro vivo.
A revista afirma que os relatos foram apresentados à PGR em um anexo de uma proposta de delação do banqueiro, descartada em junho. De acordo com a publicação, a defesa de Vorcaro alegou que poderia apresentar mensagens de WhatsApp, registros de pessoas responsáveis por retirar dinheiro e informações sobre locais e trajetos utilizados nas supostas entregas. A proposta, no entanto, não avançou.
A campanha de Lula contestou a existência de um depoimento formal com esse conteúdo. "Esse depoimento não existe, não há registro dele na Polícia Federal. Não há registro de delação com esse conteúdo que tenha sido aceita pelo Ministério Público e Polícia Federal. Portanto, uma farsa", afirmou a coligação.
Em nota, a Polícia Federal afirmou que Daniel Vorcaro não prestou depoimento com o teor relatado na matéria, tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o conteúdo ali descrito.
"As propostas de colaboração premiada que foram apresentadas à PF pela defesa do investigado não foram acolhidas em razão do não atendimento aos requisitos legais, conforme decisão fundamentada de conhecimento da defesa. Por fim, a Polícia Federal informa que recebeu, nesta sexta-feira (9/10), notícia-crime com pedido de providências urgentes para apuração de fatos relacionados à publicação mencionada. O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária", disse a corporação em nota.
A defesa de Vorcaro, também em nota, repudiou a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foram celebradas. A defesa não confirmou o conteúdo do material divulgado.
"O material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades que possuem dever legal de confidencialidade. A defesa esclarece que Daniel Vorcaro não prestou nenhum depoimento à PF ou à PGR no âmbito das tratativas de colaboração premiada. A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades", disse a defesa do ex-banqueiro.
Segundo a Veja, Vorcaro relatou ter negociado com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto pagamentos para conseguir acesso a recursos de fundos de pensão ligados a empresas estatais.
De acordo com a publicação, o banqueiro afirmou que teria sido solicitado um pagamento de aproximadamente R$ 30 milhões em espécie para custear despesas de um documentário sobre Lula no exterior, além de valores destinados ao Instituto Lula, administrado por Paulo Okamotto.
A reportagem também afirma que, segundo o relato de Vorcaro, Vaccari teria exigido uma comissão de 10% sobre os recursos que o Banco Master conseguisse captar junto aos fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Ainda segundo a revista, Vorcaro atribuiu ao então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e ao então secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, participação em articulações para facilitar o acesso do banco aos fundos. O ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner, também é citado na reportagem.
A publicação relata que mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro mostram contatos e tentativas de aproximação com autoridades e dirigentes dos fundos. A Veja também afirma que, apesar das articulações relatadas, Vorcaro não conseguiu captar os recursos pretendidos nos fundos federais.
A revista informa que a segunda proposta de delação de Vorcaro foi descartada e que o banqueiro trabalha em uma terceira tentativa de acordo.
A reportagem também menciona mensagens sobre a possibilidade de um encontro entre Lula e Vorcaro, mas ressalta que não há provas de que essa reunião tenha ocorrido. Segundo a Veja, houve uma reunião confirmada no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024, fora da agenda oficial, para tratar da situação do Banco Master junto ao Banco Central.
Procurado pela revista, Lula afirmou que "jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira, nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome". Noleto negou ter relação com o banqueiro ou ter recebido recursos dele. Padilha também negou relação com Vorcaro. Segundo a publicação, os demais citados não se manifestaram até o fechamento da reportagem.
Em nota enviada à EXAME, Padilha repudiou o que chamou de tentativa para "tumultuar o processo eleitoral".
"Em nenhuma hipótese e sob nenhum pretexto, jamais agi ou autorizei que outros agissem em defesa dos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master. O depoimento mentiroso do banqueiro é tão desprovido de qualquer comprovação que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República atestaram que os relatos trazem apenas informações desencontradas, sem provas e sem confissão de crime", afirmou o ministro.
Na nota divulgada após a reportagem, a campanha de Lula afirmou que as acusações atribuídas a Vorcaro não possuem comprovação e questionou a divulgação do material durante a disputa presidencial.
A coligação também criticou a forma como o banqueiro, segundo a reportagem, diferenciou supostos pagamentos relacionados ao PT de recursos destinados a uma produção cinematográfica Dark Horse sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
"A contradição do relato é gritante. Vorcaro procura apresentar os pagamentos associados ao bolsonarismo como 'patrocínio normal', enquanto atribui crimes ao PT e ao governo sem apresentar prova das suas acusações", afirmou a campanha.
A nota também sustenta que a reportagem tenta proteger Flávio Bolsonaro, adversário de Lula no segundo turno.
A campanha afirmou ainda que foi durante o atual governo que as instituições de controle investigaram as irregularidades relacionadas ao Banco Master, que acabou liquidado, e que Vorcaro foi preso.
Por fim, a coligação anunciou que recorrerá à Justiça contra as acusações publicadas.
"Não aceitaremos que acusações sem provas e vazamentos seletivos sejam usados como arma eleitoral. As medidas judiciais cabíveis serão tomadas contra as calúnias e eventuais irregularidades na divulgação dessas informações", afirmou a coordenação da campanha.
A campanha classificou a reportagem como uma "farsa" e uma "peça eleitoral irresponsável". Em nota, a coligação afirmou que as acusações atribuídas a Daniel Vorcaro não possuem comprovação e anunciou que adotará medidas judiciais.
Segundo a Veja, Vorcaro relatou supostas negociações envolvendo integrantes do PT para realizar pagamentos em troca de acesso a investimentos de fundos de pensão federais. O banqueiro também alegou que teriam sido destinados cerca de R$ 30 milhões em espécie para despesas de um documentário sobre Lula, além de valores ao Instituto Lula.
Segundo a reportagem da Veja, a Procuradoria-Geral da República não levou adiante as acusações por considerar que não havia provas dos supostos pagamentos, que teriam sido realizados em dinheiro vivo. A defesa de Vorcaro alegou possuir outros elementos para sustentar os relatos, mas a proposta de delação não avançou.
Não. De acordo com a Veja, a segunda proposta de delação do banqueiro foi descartada em junho. A revista informou que Vorcaro trabalha em uma terceira tentativa de acordo. A campanha de Lula também afirmou que não existe registro de delação com esse conteúdo aceita pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.
Procurado pela Veja, Lula afirmou que jamais solicitou ou recebeu vantagens financeiras de Vorcaro e que não autorizou terceiros a receber recursos do banqueiro em seu nome.
A coligação anunciou que adotará as medidas judiciais cabíveis contra o que classificou como calúnias e eventuais irregularidades na divulgação das informações. A nota não detalha quais ações serão apresentadas nem identifica formalmente os possíveis alvos das medidas.