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Brasil defende soberania do Irã e pede diálogo pacífico diante dos protestos no país

Em um comunicado, o Itamaraty também lamentou as mortes registradas durante as manifestações e acompanha a situação dos brasileiros que vivem no país

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 16h41.

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O governo brasileiro declarou nesta terça-feira, 13 de janeiro, que a decisão sobre o futuro do Irã é uma responsabilidade exclusiva dos iranianos, no contexto das manifestações em curso no país.

Em nota emitida pelo Itamaraty, o governo que também expressou preocupação com a escalada dos protestos iniciados em 28 de dezembro, em diferentes regiões iranianas.

"O governo brasileiro acompanha, com preocupação, a evolução das manifestações que ocorrem, desde o dia 28 de dezembro, em diversas localidades do Irã. O Brasil lamenta as mortes e transmite condolências às famílias afetadas".

No comunicado, o Ministério das Relações Exteriores defendeu o engajamento de todas as partes envolvidas em um "diálogo pacífico, substantivo e construtivo", reiterando a posição do Brasil de respeito à soberania nacional.

"Ao sublinhar que cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país, o Brasil insta todos os atores a se engajarem em diálogo pacífico, substantivo e construtivo", diz a pasta.

O Itamaraty também lamentou as mortes registradas durante os protestos e manifestou condolências às famílias das vítimas. Cerca de 2.000 pessoas, incluindo membros das forças de segurança, foram mortas em duas semanas de protestos no Irã, afirmou uma autoridade do governo à agência de notícias Reuters.

De acordo com o Itamaraty, a Embaixada do Brasil em Teerã permanece em acompanhamento constante da situação e está atenta às necessidades dos brasileiros que vivem no país.

Até o momento, não há informações sobre cidadãos brasileiros mortos ou feridos. A estimativa oficial do governo aponta que 85 brasileiros residem atualmente no Irã.

"O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã. Não há registros, até o momento, de nacionais mortos ou feridos".

Entenda a crise no Irã

Desde o final de dezembro de 2025, o Irã enfrenta uma das manifestações mais intensas de sua história recente, motivada por uma crise econômica agravada por inflação alta, desvalorização da moeda e aumento do custo de vida.

Os protestos ganharam força em diversas cidades e províncias, com a adesão de estudantes e outros grupos sociais. As demandas, inicialmente econômicas, passaram a incluir críticas ao sistema político vigente.

A resposta das autoridades tem envolvido repressão ampla, incluindo bloqueios à internet e aos serviços de comunicação, detenções em massa e uso de força letal por parte das forças de segurança. A restrição ao acesso a informações dificulta a apuração independente sobre o total de mortos e detidos.

O número de brasileiros residentes no Irã representa 0,0017% do total estimado de 4,9 milhões de nacionais que vivem no exterior. As maiores comunidades brasileiras fora do país estão localizadas nos Estados Unidos, Portugal, Paraguai, Reino Unido e Japão.

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