Bolsonaro diz que vai questionar CEO do WhatsApp sobre acordo com TSE

No acordo firmado com a Corte eleitoral, o WhatsApp se comprometeu a aguardar o fim do segundo turno das eleições para lançar o novo recurso, com o objetivo de conter a disseminação de notícias falsas
Presidente Bolsonaro criticou na sexta-feira, 15, o acordo entre TSE e Whatsapp, o qual classificou de "inaceitável" (Adriano Machado/Reuters)
Presidente Bolsonaro criticou na sexta-feira, 15, o acordo entre TSE e Whatsapp, o qual classificou de "inaceitável" (Adriano Machado/Reuters)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 16/04/2022 20:43 | Última atualização em 16/04/2022 20:43Tempo de Leitura: 3 min de leitura

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado, 16, que vai exigir explicações do WhatsApp a respeito do acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que evita a instalação de novas funcionalidades na plataforma antes das eleições de outubro. "Vou buscar o CEO do WhatsApp essa semana e quero ver que acordo é esse", afirmou, em entrevista à CNN.

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Uma das principais novidades da plataforma para os próximos meses é o recurso de "Comunidades", que vai permitir a criação de grupos com milhares de pessoas dentro do aplicativo. No entanto, no acordo firmado com a Corte eleitoral, o WhatsApp se comprometeu a aguardar o fim do segundo turno das eleições para lançar o novo recurso, com o objetivo de conter a disseminação de notícias falsas.

O aplicativo de mensagens foi considerado um dos principais vetores de desinformação na eleição de 2018 e vem tomando medidas para reduzir o impacto.

Bolsonaro afirmou que já conversou com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, que deve entrar em contato com o representante do WhatsApp no Brasil para questionar a decisão. "Se ele (WhatsApp) pode fazer um acordo com o TSE, pode fazer comigo também, por que não?", disse.

O presidente já havia criticado na sexta-feira, 15, o acordo que para ele, seria "inaceitável" e "inadmissível". Procurados na sexta, o TSE e o WhatsApp não se manifestaram sobre as críticas. O Estadão apurou que o compromisso da empresa com o tribunal permanece o mesmo, de evitar atualizações significativas antes das eleições de outubro.

'Pacotão' de novidades

O recurso de Comunidades foi anunciado na quinta-feira, 14, junto a outras novidades da plataforma. Além dele, o WhatsApp também anunciou a possibilidade de fazer chamadas de voz com até 32 pessoas; o aumento para 2GB dos arquivos que podem ser enviados e a função de reagir com emojis à mensagens enviadas em grupos.

A respeito das comunidades, a plataforma informou, em nota: "As Comunidades permitirão que as pessoas reúnam grupos relacionados sob uma mesma estrutura que funcione para elas. Dessa forma, os participantes poderão receber avisos enviados para toda a Comunidade e organizar grupos menores para discutir os assuntos que são de seu interesse com facilidade".

Inicialmente, as Comunidades poderão reunir até dez grupos com até 256 pessoas. Dessa forma, uma mensagem pode alcançar uma audiência de 2.560 pessoas, o que preocupa especialistas. O maior temor é de que elas permitam uma circulação maior de desinformação.

Acordos contra fake news

Além do WhatsApp, o Tribunal Superior Eleitoral também firmou acordo com outras redes sociais e aplicativos de envios de mensagens, incluindo Facebook, Instagram, YouTube, Kwai, Tiktok e Twitter. O acordo baseou-se em quatro eixos: disseminação de informações confiáveis e oficiais sobre as eleições, capacitação contenção de desinformação e transparência.

Um relatório, produzido por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), avaliou esses pontos e indicou que houve avanços, mas que o acordo do TSE com as plataformas ainda deixa brecha para desinformação, principalmente nos campos de transparência e contenção de desinformação, que são essenciais no combate às fake news.