Brasil

BC diz que fluxos de capital ameaçam estabilidade

O diretor do BC Luiz Pereira da Silva disse que o dinheiro que ingressa ao Brasil está acelerando a inflação já em alta

Enxurrada de dólares está pressionando o "dragão da inflação" (Getty Images)

Enxurrada de dólares está pressionando o "dragão da inflação" (Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 27 de março de 2011 às 15h40.

Calgary - O Banco Central defendeu neste domingo esforços para criar barreiras contra capital estrangeiro, afirmando que uma enxurrada de dólares está pressionando a inflação e a estabilidade dos mercados financeiros.

"Estamos enfrentando agora uma grande enxurrada de liquidez internacional", disse o diretor do BC Luiz Pereira da Silva, dirigindo-se a executivos de bancos em um fórum no Canadá. "Algo bom em excesso pode ser um problema." Conforme a economia mundial se recupera da recessão, o Brasil e outros países têm imposto novas barreiras para entrada de capital estrangeiro, que tem prejudicado exportadores ao fortalecer as moedas locais. Essas medidas são criticadas por alguns economistas e formuladores de política monetária.

O presidente do Banco do Canadá, Mark Carney, disse no sábado que as ações correm o risco de distorcer os mercados, mesmo reconhecendo que os controles de capital podem funcionar às vezes.

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, afirmou que "em alguns casos, controles de capital podem ser úteis".

Pereira disse que o dinheiro que ingressa ao Brasil está acelerando a inflação já em alta, em parte por conta do "boom" global das commodities, que vem encarecendo os preços dos alimentos.

"As atuais e incomuns condições de liquidez estão afetando os mercados de crédito nos mercados emergentes. Os bancos centrais têm que prestar atenção a esses efeitos porque eles ameaçam a estabilidade financeira", afirmou.

O diretor do BC disse que a inflação no Brasil deve subir temporariamente nos próximos meses, embora ele espere que os preços retornem a níveis consistentes com a meta, após o que ele chamou de "choque".

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