Dario Durigan: ministro da Fazenda afirmou que pasta identificou 48 contas com mais de R$ 500 mil de saldo (Washington Costa/MF/Divulgação)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 15h13.
Última atualização em 2 de outubro de 2026 às 15h17.
Os apostadores brasileiros têm ao menos R$ 1,4 bilhão a serem resgatados de contas em plataformas de casas de apostas que eram regulamentadas e foram banidas no Brasil desde 25 de setembro. Os apostadores têm até o dia 5 de outubro para resgatar os valores por meio das plataformas. Após esse prazo, os bancos que operavam as contas das bets serão responsáveis pela devolução dos montantes.
"A gente tinha até sexta-feira (25 de setembro) um saldo de R$ 2,1 bilhões nas contas, teve uma redução de mais de 30%, R$ 652 milhões a menos no saldo das contas, o que hoje traz para um patamar de R$ 1,4 bilhão nesses saldos remanescentes", disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan nesta sexta-feira, 2.
A maior parte do valor está concentrada em 11 casas de apostas, segundo o ministro.
O ministro afirmou, também, que o Ministério da Fazenda identificou 48 contas em nome de apostadores com saldos superiores a R$ 500 mil e que estão sendo investigadas. A suspeita das autoridades é que haja contas usadas para lavar dinheiro de atividades ilícitas.
"É um detalhe importante que a fiscalização tem apontado para que a gente também informe. Tem um patamar de conta que passa, inclusive, por uma análise diferente, pormenorizada para entender o motivo do volume grande de recursos que há nessas 48 contas específicas", afirmou Durigan.
Os ministérios da Justiça e Segurança Pública e da Fazenda informaram também que foram retirados mais 10 mil sites ilegais de bets até está sexta-feira. Ao todo, o número de URLs de casas de apostas retiradas do país supera 80 mil.
Com a proibição de casas de apostas, de acordo com o ministro Durigan, o fluxo diário de apostas no país, que chegava a R$ 600 milhões, foi interrompido. "O volume diário movimentado para as casas de apostas girava em torno de R$ 600 milhões por dia antes da medida provisória e foi praticamente zerado", afirmou.
No início da semana, o Banco Central já havia informado que, após a medida, o número de transações por Pix reduziria em 10%.
Quem não resgatar dinheiro retido nas plataformas de aposta até dia 5 de outubro, quando os sites das bets outrora regulamentadas sai do ar, terá o montante devolvido depois pelos próprios bancos que operam para as bets, de acordo com o Ministério da Fazenda.
"As bets vão informar, como já tem nos informado, o saldo remanescente individualizado por CPF e os bancos, entre os dias 9 e 14 de outubro, vão fazer a devolução para as pessoas. Se houver qualquer dificuldade por parte dos bancos, a Caixa servirá como uma última instância para fazer a intermediação da devolução do recurso, que é sempre do apostador", disse Durigan.