Alta do juro ao consumidor sinaliza menos aumentos na Selic

O juro médio ao consumidor aumentou 149 pontos-base em janeiro e já é a maior taxa em oito meses

Rio de Janeiro e Nova York - A taxa de juros ao consumidor subiu para o maior nível em oito meses, num sinal de que as chamadas medidas macroprudenciais tomadas pelo Banco Central estão reduzindo a necessidade de aumentos maiores na taxa básica Selic.

O juro médio ao consumidor aumentou 149 pontos-base, ou 1,49 ponto percentual, em janeiro para 121,46 por cento, a maior taxa em oito meses, segundo a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade. Também em janeiro, a inadimplência do consumidor teve o maior avanço em nove anos, segundo a Serasa Experian. Essas altas vieram depois de o BC elevar, em dezembro, o depósito compulsório e o requerimento de capital para impedir a formação de uma bolha de crédito.

Autoridades monetárias de países em desenvolvimento, da China ao Peru, estão intensificando esforços para frear a expansão do crédito, em resposta à aceleração da inflação. No Brasil, o volume de crédito cresceu 1,6 por cento em dezembro, para R$ 1,7 trilhão, o menor ganho em cinco meses, segundo o BC.

Para o Morgan Stanley, o sucesso das medidas macroprudenciais vai permitir que o presidente do BC, Alexandre Tombini, não acelere as altas da Selic para conter a maior inflação no País em 26 meses.

“O Banco Central tem muita confiança que essas medidas funcionarão e, se elas não forem suficientes, está claro que mais medidas prudenciais serão adotadas”, disse Gray Newman, economista-chefe para América Latina do Morgan Stanley, numa entrevista por telefone de Nova York. “Alguns participantes do mercado estão precificando um ciclo de aumento de juros muito agressivo. Para mim, a mensagem é que vai haver um mix de alta da Selic e medidas não ligadas ao juro básico.”

Juros futuros

Tombini deve aumentar a taxa básica em mais 175 pontos-base para cerca de 13 por cento até o fim do ano, segundo os negócios com contratos de Depósito Interfinanceiro. Ele elevou a Selic em 50 pontos-base no mês passado, em sua primeira reunião no comando da autoridade monetária. O Morgan Stanley espera um aumento para 12,5 por cento, em linha com a estimativa mediana da pesquisa do BC com o mercado publicada em 7 de fevereiro.


O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo atingiu 5,99 por cento nos 12 meses até janeiro, acima do centro da meta do governo de 4,5 por cento, que tem tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O juro médio anualizado para o crédito pessoal subiu de 40,3 por cento em 6 de dezembro, primeiro dia útil após o BC ter anunciado as medidas macroprudenciais, para 49,4 por cento em 26 de janeiro, disse o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, numa apresentação em Salvador em 10 de fevereiro. A taxa é a mais elevada desde março de 2009, quando a crise financeira global começava a ceder.

‘Calar os céticos’

O BC afirmou em 3 de dezembro que as medidas macroprudenciais, que incluíram o aumento do compulsório e requerimentos de capital para empréstimos ao consumidor com prazo superior a 24 meses, enxugariam R$ 61 bilhões do mercado de crédito.

“Houve um efeito de verdade”, disse Tony Volpon, estrategista para América Latina da Nomura Securities em Nova York, numa entrevista por telefone. A apresentação de Hamilton ajudou a “calar os céticos”, disse ele.

Apesar das medidas terem sido “bem desenhadas”, o BC ainda precisará acelerar o ritmo de alta da Selic para conter as expectativas de inflação, disse Paulo Vieira da Cunha, ex- diretor da autoridade monetária.

“Quando você tem expectativas desancoradas, o Banco Central precisa tomar ações decisivas e trazer a inflação para a meta”, disse Vieira da Cunha, hoje sócio da Tandem Global Partners LLC em Nova York. “Foi assim que o Banco Central ganhou credibilidade no passado e isso é o que eu estou esperando ver.”

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