Flávio Bolsonaro: senador disputa a Presidência do Brasil (Saulo Cruz/Agência Senado)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 8 de outubro de 2026 às 06h00.
Flávio Bolsonaro (PL) ampliou suas alianças para o segundo turno da eleição presidencial contra Lula (PT). Os partidos que já declararam apoio ou negociam adesão ao senador elegeram 286 deputados federais, o equivalente a 55,8% da Câmara. Republicanos e Podemos estão entre as legendas que podem formalizar apoio nesta semana.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) ampliou suas alianças para o segundo turno das eleições 2026 e atraiu partidos que, juntos, elegeram 286 deputados federais.
A soma das bancadas do PL, União Brasil, PP, Republicanos, NOVO e Podemos representa 55,8% das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados a partir de 2027.O movimento ganhou força após a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, anunciar apoio ao senador na terça-feira, 6. O Republicanos e o Novo também aderiram a candidatura nesta quarta-feira, 7, enquanto o Podemos deve anunciar uma posição na quinta-feira, 8.
As articulações envolvem o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que atua para ampliar a aliança de Flávio na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcada para 25 de outubro.
Além dos 121 deputados eleitos pelo PL, os quatro partidos que aderiram ou negociam apoio ao senador conquistaram outras 165 cadeiras nas eleições.
União Brasil e PP, que elegeram 46 e 41 deputados, respectivamente, anunciaram apoio ao senador após uma reunião das direções partidárias. A federação havia adotado neutralidade no primeiro turno e liberado seus integrantes para apoiar diferentes candidaturas.
O Republicanos, que elegeu 41 deputados, também caminha para formalizar a adesão.
Segundo integrantes do partido ouvidos pela EXAME, a maioria dos diretórios estaduais aprovou o apoio a Flávio. Os diretórios da Paraíba e Pernambuco foram liberados.
A decisão enfrenta resistências de uma ala da sigla, principalmente no Nordeste, que apoiou Lula no primeiro turno e defendia a manutenção da neutralidade.
No caso do Novo, uma parcela da sigla já havia anunciado apoio a Flávio ainda no primeiro turno, mesmo com a candidatura de Romeu Zema (Novo) à presidência. A sigla elegeu 10 deputados.
O Podemos, que conquistou 27 cadeiras, é outra legenda em negociação. Tarcísio confirmou um encontro com a bancada do partido no Congresso na quinta-feira, quando é esperado um anúncio sobre o segundo turno.
O governador paulista também mantém conversas com o MDB, que elegeu 36 deputados. Nesta quarta-feira, Tarcísio afirmou ter conversado com o presidente nacional da legenda, Baleia Rossi, sobre uma possível adesão, mas ainda não há decisão oficial do partido.
Flávio também recebeu manifestações individuais de apoio do ex-presidente Michel Temer, do MDB, do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, do PSD, e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo.
Isso não significa, porém, que todos os parlamentares integrarão uma eventual base de governo de Flávio Bolsonaro.
A dimensão das bancadas ganha importância diante das propostas apresentadas pelo senador. Na terça-feira, Flávio afirmou que pretende utilizar uma maioria no Congresso para promover mudanças na Constituição, caso seja eleito.
Entre as medidas citadas estão alterações no Judiciário, redução da maioridade penal e fim da reeleição para cargos do Executivo.
Para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC), são necessários pelo menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.
Mesmo que todos os 286 deputados dos cinco partidos votassem juntos, seriam necessários outros 22 votos para aprovar uma mudança constitucional na Câmara.A formação de uma eventual base parlamentar dependerá do resultado do segundo turno, em 25 de outubro, e das negociações políticas após a eleição.
PL, União Brasil e PP integram a aliança do senador. O Republicanos prepara um anúncio para quarta-feira, 7, enquanto o Podemos negocia uma adesão que poderá ser anunciada na quinta-feira, 8.
PL, União Brasil, PP, Republicanos e Podemos elegeram juntos 286 deputados federais em 2026, o equivalente a 55,8% das 513 cadeiras da Câmara.
Os cinco partidos somam mais da metade das cadeiras da Câmara, mas o apoio eleitoral das legendas não garante que todos os deputados integrarão uma eventual base parlamentar do senador.
O PL elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara dos Deputados a partir de fevereiro de 2027.
Tarcísio de Freitas confirmou conversas com o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, sobre um possível apoio ao senador. Até o momento considerado na matéria, não havia anúncio de adesão nacional da legenda.
Uma proposta de emenda à Constituição precisa de pelo menos 308 votos favoráveis na Câmara dos Deputados e 49 no Senado, em dois turnos de votação em cada Casa.