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Alckmin critica quem "desvirtua" e quer "jogar a política fora"

O governador de São Paulo defendeu sua carreira pública e afirmou que tem uma vida modesta

Geraldo Alckmin: após relembrar sua carreira como vereador, prefeito, deputado e governador, o tucano disse que seu papel sempre foi servir ao interesse coletivo (Edson Lopes Jr./Divulgação/Divulgação)

Geraldo Alckmin: após relembrar sua carreira como vereador, prefeito, deputado e governador, o tucano disse que seu papel sempre foi servir ao interesse coletivo (Edson Lopes Jr./Divulgação/Divulgação)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 28 de abril de 2017 às 15h22.

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fez nesta sexta-feira (28) uma defesa de sua vida pública e criticou aqueles que "desvirtuam" a política e querem "jogar a política fora".

Um dos alvos das delações da Odebrecht por supostamente ter usado dinheiro ilícito nas campanhas a governador de 2010 e 2014, Alckmin afirmou que tem uma vida modesta e que, mesmo "às vezes" errando, seu objetivo é servir a população.

Alckmin participou da cerimônia de encerramento do Congresso Estadual dos Municípios, em Campos do Jordão, no Vale do Paraíba.

Após relembrar sua carreira como vereador, prefeito, deputado e governador, o tucano disse que seu papel sempre foi servir ao interesse coletivo.

"Às vezes a gente erra, às vezes a gente não faz o melhor, mas a nossa tarefa é servir a nossa população", disse o governador. Ele afirmou ainda que atualmente há um "desvirtuamento" porque pessoas querem "jogar a política fora".

Ao enfatizar que tem uma "vida modesta", o tucano disse que ouviu de um governador que a Assembleia Legislativa de determinado Estado era toda representada por corporações e empresas.

"Não tenho rádio, não tenho televisão, não tenho empresa. É interesse público. Aliás, foi meu professor Mário Covas ex-governador de SP, que foi defensor do interesse coletivo, das pessoas anônimas, de trabalhar para aquele que mais precisa", declarou.

As declarações foram feitas durante o discurso de encerramento do congresso, que reuniu prefeitos e outros políticos em Campos do Jordão, e foi transmitida pela internet na página da Associação Paulista de Municípios.

Fazendo relação com uma história bíblica, Alckmin disse que é preciso ter esperança para chegar à Terra Prometida e superar as dificuldades que o País enfrenta.

"É nosso dever suarmos a camisa, enfrentar as dificuldades para que o País possa retomar o rumo do crescimento, do emprego e da renda. Ao trabalho", conclamou ao fim do discurso.

Candidato

Cercado por prefeitos, secretários, deputados estaduais, federais e outros políticos, Alckmin foi defendido publicamente das acusações feitas por delatores da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato e saudado como candidato a presidente da República em 2018 durante o congresso.

O presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Roberto Ziulkoski, que recebeu uma homenagem da entidade paulista das mãos do governador, elogiou o tucano e o citou como provável candidato a presidência da República em 2018.

Ele destacou que Alckmin já foi prefeito, participou de várias marchas da CNM, foi candidato a presidente e "talvez venha a ser o ano que vem de novo".

Já o presidente da Associação Paulista dos Municípios, Carlos Alberto Cruz Filho, foi mais direto e disse que a vontade dos prefeitos do Estado é recebê-lo, "num futuro próximo", como presidente da República no evento.

Ele conclamou os prefeitos presentes a, quando voltarem para seus municípios, dizerem à população que o desejo é ter Alckmin como presidente.

"Digam lá que nós dissemos a ele que a nossa vontade, o nosso trabalho, a nossa luta, o nosso empenho, é que num futuro próximo, para o bem do nosso País e do nosso povo, queremos recebê-lo aqui como presidente da República do Brasil", declarou.

"São Paulo é feliz com o governador que tem" e que Alckmin exerce o cargo como um "sacerdócio" e com "reputação ilibada."

Cruz Filho afirmou ainda que hoje entende quando Alckmin pediu ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando disputava com o petista as eleições presidenciais de 2006, para não medi-lo "com a sua régua".

"Hoje quero dizer que a nossa régua é a régua do governador", falou.

O prefeito de Campos do Jordão, Fred Guidoni (PSDB), falou ainda que Alckmin é "um exemplo para todos nós, jovens políticos" e que "reza todos os dias" para que o governador possa "fazer pelo Brasil" o que tem feito pelos municípios paulistas.

"O senhor, como municipalista, com uma história de mais de 40 anos à frente do Estado de São Paulo como vereador, prefeito, deputado e governador, não precisa se preocupar com notícia de Facebook, com matéria de jornal, porque isso não vai sujar a sua história como homem público", disse o prefeito tucano.

As defesas a Alckmin partiram até do presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Paulo Dimas Mascaretti, que classificou o governador como o "grande tutor" da política paulista.

"Nós confiamos no senhor como grande tutor da política do nosso Estado, e o respeitamos pela sua história e pelas suas ações, porque vemos sua biografia e temos aqui o testemunho das ações no dia a dia lá no nosso tribunal", disse o jurista, que preside a Corte responsável por julgar os deputados estaduais e prefeitos paulistas citados nas delações da Odebrecht

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Cauê Macris (PSDB), também saiu em defesa de Alckmin enquanto defendia a classe política.

"Eu tenho orgulho de ser político porque faço a política da maneira correta. Eu faço a política da maneira séria assim como este homem, que honra nosso Estado, tem 40 anos de vida pública, vida modesta, conduta ilibada e que governa nosso Estado com mãos de ferro", disse.

Citando termos que Alckmin já usou para se defender das denúncias, Macris reforçou a necessidade de separar "o joio do trigo" nos casos de corrupção envolvendo políticos e disse que é necessário fazer com que aqueles que "lutam pela sociedade" consigam estar nos cargos.

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