Brasil

Afif entrega parecer da AGU sobre permanência em cargos

O parecer da AGU diz que não há ilegalidade no acúmulo das funções de ministro e vice-governador de São Paulo


	O ministro da Secretaria de Micro e Pequena Empresa, Afif Domingos: o ministro confirmou que irá pedir licença ou renúncia temporária do cargo sempre que for necessário assumir o governo de São Paulo.
 (REUTERS/Ueslei Marcelino)

O ministro da Secretaria de Micro e Pequena Empresa, Afif Domingos: o ministro confirmou que irá pedir licença ou renúncia temporária do cargo sempre que for necessário assumir o governo de São Paulo. (REUTERS/Ueslei Marcelino)

DR

Da Redação

Publicado em 13 de junho de 2013 às 07h48.

Brasília – O ministro Guilherme Afif Domingos, da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, entregou hoje (22) à Comissão de Ética Pública da Presidência da República parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), segundo o qual não há ilegalidade no acúmulo das funções de ministro e vice-governador de São Paulo.

Afif tomou posse como ministro no último dia 9 e decidiu acumular os dois cargos públicos, abdicando do salário de vice-governador. Na segunda-feira (20), a Comissão de Ética decidiu encaminhar ao ministro um pedido de explicações sobre a acúmulo das funções. Ontem (21), a AGU divulgou parecer em que argumenta que só haveria ilegalidade caso Afif fosse governador, e não vice.

“Trouxe o parecer da AGU, que ajuda a esclarecer os pontos polêmicos de um fato novo, que é a assunção de um vice-governador ao cargo de ministro. Para trazer o conforto da legalidade desta posição, fiz questão de me informar sobre as indagações para que possa responder imediatamente as dúvidas para o procedimento da comissão”, disse o ministro, após entregar o documento ao conselheiro Mauro Menezes.

Afif disse que não se sente desconfortável, nem constrangido, ao acumular os dois cargos, porque, segundo ele, o vice-governador já é “um licenciado por natureza” e, para assumir o ministério, não teve que deixar de lado funções que deveria exercer. “O vice é uma expectativa de cargo, não é um cargo, a lei assim determina. Tanto é que ele pode assumir outras funções como vice-governador. Eu mesmo já tinha assumido a função de secretário de Estado como vice. Um vice não pode se licenciar do cargo de vice porque ele não tem função”, justificou.


O ministro confirmou que irá pedir licença ou renúncia temporária do cargo sempre que for necessário assumir o governo de São Paulo, em viagens internacionais do titular Geraldo Alckmin, por exemplo. “Aí, a orientação da AGU é, ou licença, ou renúncia temporária ao cargo enquanto persistir a assunção ao cargo de governador. Porque este sim tem incompatibilidade, o vice não”. Nesses casos, enquanto Afif estiver no governo de São Paulo, o ministério será ocupado pelo secretário-executivo da pasta, Nelson Hervey Costa.

Menezes, conselheiro que recebeu o parecer, evitou fazer qualquer avaliação sobre a situação de Afif e disse que os documentos serão analisados formalmente pela comissão. A decisão sobre a abertura de procedimento preliminar para apurar possível desvio ético do ministro será tomada na próxima reunião do colegiado, dia 17 de junho.

“Haverá um exame formal. Na próxima reunião, a comissão examinará a documentação e fará um juízo formal, comparando a legislação ética com as informações trazidas pelo ministro. Por ora, não podemos antecipar um juízo, porque é um juízo feito coletivamente pela comissão e que depende não só dos documentos trazidos, como da normativa ética existente e vigente em nosso país.”

Segundo o conselheiro, cabe à comissão apenas o julgamento ético do acúmulo dos dois cargos públicos, e não avaliações jurídicas, o que já foi feito pela AGU, ou políticas da situação de Afif. “Convém discernir o juízo eminentemente ético, que nos compete, do juízo jurídico, eventualmente feito até pela AGU, e o juízo político, que cabe às forças políticas, à correlação de forças sociais que têm a liberdade de se pronunciar sobre cada uma das figuras que ocupam ministérios no nosso país. Nós cumpriremos a nossa função, que é examinar a legislação ética”, reforçou.

Acompanhe tudo sobre:Política no BrasilPolítica

Mais de Brasil

Rope jump: juiz cita 'tentativa de fuga' e 'negligência' para decretar prisão de instrutores

Produtor e DJ Lucas Frota está entre os mortos do acidente aéreo no Recreio

Quem são as seis vítimas de acidente entre helicópteros no RJ

Vídeo mostra incêndio causado por queda de helicópteros no Recreio dos Bandeirantes