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'Absurdo atrás de absurdo': irmã de Juliana Marins sobre divulgação de autópsia antes de laudo final

Após o desabafo, Mariana informou que a Prefeitura de Niterói assumirá os custos do traslado do corpo da Indonésia para o Brasil

Juliana Marins: brasileira morreu após quatro dias de espera por resgate na Indonésia  (resgatejulianamarins/Instagram)

Juliana Marins: brasileira morreu após quatro dias de espera por resgate na Indonésia (resgatejulianamarins/Instagram)

Agência o Globo
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Agência de notícias

Publicado em 28 de junho de 2025 às 12h22.

A irmã de Juliana Marins, brasileira de 26 anos que morreu após cair durante uma trilha no vulcão Rinjani, na Indonésia, publicou um vídeo nas redes sociais expressando revolta com a divulgação antecipada das informações da autópsia do corpo da jovem.

O laudo, apresentado pelo médico legista Ida Bagus Alit, foi revelado à imprensa na sexta-feira, 27, antes mesmo de ser entregue oficialmente à família.

Segundo Mariana, a família havia sido chamada ao hospital para receber o laudo, mas uma coletiva foi realizada antes disso.

"Minha família foi chamada no hospital para receber o laudo, mas, antes que eles tivessem acesso a esse documento, o médico achou de bom-tom dar uma coletiva de imprensa para anunciar tudo. É absurdo atrás de absurdo, e não acaba mais", desabafou ela, em vídeo publicado no Instagram.

Após o relato, Mariana informou que a prefeitura de Niterói, cidade onde Juliana morava, ficará responsável pelos custos do traslado do corpo da Indonésia para o Brasil. Ela agradeceu ao prefeito Rodrigo Neves pela compaixão demonstrada:

Em entrevista ao jornal O Globo, na sexta-feira, Mariana Marins, irmã de Juliana, desabafou. "Tudo o que eu sei, vi pela mídia. Em momento algum houve compaixão ou respeito suficiente para nos reunir e informar primeiro. Ficamos sabendo depois porque o legista quis seus 15 minutos de fama, mais um absurdo no meio de toda essa história", disse.

Autópsia levanta dúvidas

Além da forma como a informação foi divulgada, a família coleciona dúvidas sobre quando Juliana teria morrido.

Sua irmã, Mariana, questiona a própria cronologia apresentada pelo legista. Segundo ele, a morte teria ocorrido entre 12 e 24 horas antes das 22h05 — mas não deixa claro a que dia se refere. Juliana caiu no sábado, dia 21, pela manhã, e o corpo foi resgatado apenas na quarta-feira seguinte. A estimativa de morte nesse intervalo abre margem para interpretações contraditórias.

"Se o legista disser que a morte foi 12 horas após a primeira queda, isso é mentira. Temos relatos de turistas, registros, vídeos... muita coisa que comprova que a Juliana ficou viva por muito mais tempo. O ferimento fatal pode ter acontecido na última queda, já perto do resgate. Agora, se ele confirmar que foi entre 12 e 24 horas antes do resgate, isso muda tudo, diz muita coisa", completou Mariana.

Imagens feitas por turistas mostram Juliana com vida pelo menos três horas após a queda inicial. Ela teria pedido ajuda, e o grupo utilizou um drone para localizá-la. As gravações foram entregues à família e aos voluntários envolvidos nas buscas.

O que se sabe sobre a autópsia de Juliana até agora

Informações sobre a autópsia no corpo da brasileira Juliana Marins, de 26 anos, foram divulgadas nesta sexta-feira no Hospital Bali Mandara, em Denpasar, na Indonésia, onde o corpo foi examinado.

Em entrevista para imprensa local, o médico legista Ida Bagus Alit concluiu que a causa da morte foi trauma, com fraturas, lesões em órgãos internos e hemorragia intensa. Ele respondeu a perguntas sobre os ferimentos e o tempo estimado entre o trauma e o óbito. Ele detalhou tecnicamente os danos ao corpo, mas ainda não está claro qual das quedas provocou a morte, estimada por ele em cerca de 20 minutos após o trauma, nem o local exato onde isso ocorreu.

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