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Preço do tomate sobe 20% em janeiro e deve ficar ainda mais caro em 2026

Fruto foi a principal alta da inflação de alimentos em janeiro, mostra o IBGE

Tomate: produção brasileira de tomate é estimada em 4,4 milhões de toneladas, segundo o IBGE (Freepik)

Tomate: produção brasileira de tomate é estimada em 4,4 milhões de toneladas, segundo o IBGE (Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 09h46.

Os preços do tomate subiram 20,52% em janeiro, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta terça-feira, 10. O fruto foi o principal responsável pela alta no item alimentação no domicílio no mês passado. No geral, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, ficou em 0,33%.

O aumento no preço do tomate dá continuidade ao movimento observado nas cotações do fruto nas últimas semanas, quando os valores já estavam elevados por conta das chuvas, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP), em nota divulgada na semana passada.

Segundo o órgão, a alta mais acentuada foi registrada no atacado do Rio de Janeiro, onde os preços subiram em razão da menor oferta de frutos, principalmente de Nova Friburgo (RJ) e Venda Nova do Imigrante (ES).

“Nova Friburgo está com pouco tomate, já que a região deve intensificar a colheita apenas em março. Em Venda Nova do Imigrante, o cenário desfavorável de chuvas, que mancharam os tomates na última semana, se amenizou. No entanto, os produtores ainda estão se recuperando do prejuízo, e por isso ainda não há uma oferta expressiva de tomates de melhor qualidade”, diz a nota.

Levantamento do Hortifruti/Cepea mostra que, na safra de verão 2025/26, o clima mais úmido e as temperaturas elevadas aumentaram a incidência de doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras, além de comprometerem a qualidade dos frutos, com maior ocorrência de manchas.

Segundo o Cepea, apesar das adversidades climáticas, o maior investimento em tecnologia tem garantido produtividades equivalentes — e, em alguns casos, superiores — às da temporada anterior.

No entanto, esse desempenho vem recuando ao longo da safra, à medida que os problemas fitossanitários se intensificam. No ano passado, a área cultivada com tomate no Brasil recuou 8,9%, para 17.272 hectares na safra 2025/26. Em 2025, os preços do tomate subiram 4,38%, segundo o IBGE.

Preços do tomate em 2026

Para 2026, a expectativa é de que os preços do tomate acumulem alta de 7,0%, estima Francisco Faria, pesquisador e economista da FGV-Ibre.

Para ele, projetar os preços do tomate em 2026 é uma tarefa complexa, já que o produto geralmente apresenta forte volatilidade ao longo do calendário agrícola.

“O tomate e a batata não conhecem o calendário. O ciclo deles pode acontecer todo em um mesmo ano, com altas e quedas muito acentuadas. De qualquer maneira, quando você tira essas oscilações de curto prazo e olha para o conjunto, percebe uma tendência de encarecimento do preço do tomate no longo prazo”, afirma.

A produção brasileira de tomate é estimada em 4,4 milhões de toneladas, com valor de produção de R$ 9,9 bilhões — Goiás é o principal estado produtor do país, diz o IBGE.

Em 2025, o tomate foi um dos principais vilões da inflação dos alimentos. Os preços começaram o ano em queda, refletindo a elevada produtividade favorecida por temperaturas mais amenas.

A partir de março, porém, o cenário mudou em função da menor área plantada, problemas fitossanitários e clima quente e seco nas principais regiões produtoras, o que sustentou uma reação consistente dos preços ao longo do inverno — o movimento de alta se estendeu até o segundo semestre, mas voltou a perder força.

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