EXAME Agro

Preço do tomate deve ficar mais caro em 2026 com clima incerto no Brasil

Inflação do fruto aumentou 4,38% em 2025, segundo dados do IBGE

Tomate: produção brasileira de tomate é estimada em 4,4 milhões de toneladas, segundo o IBGE (Freepik)

Tomate: produção brasileira de tomate é estimada em 4,4 milhões de toneladas, segundo o IBGE (Freepik)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 14h29.

Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 14h33.

O clima incerto no Brasil tem levantado preocupações sobre o comportamento dos preços do tomate ao longo de 2026. Em 2025, a inflação do fruto aumentou 4,38%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para este ano, a expectativa é de que os preços do tomate acumulem alta de 7,0%, estima Francisco Faria, pesquisador e economista da FGV-Ibre. Para ele, projetar os preços do tomate em 2026 é uma tarefa complexa, já que o produto geralmente apresenta forte volatilidade ao longo do calendário agrícola.

“O tomate e a batata não conhecem o calendário. O ciclo deles pode acontecer todo em um mesmo ano, com altas e quedas muito acentuadas. De qualquer maneira, quando você tira essas oscilações de curto prazo e olha para o conjunto, percebe uma tendência de encarecimento do preço do tomate no longo prazo”, afirma.

A produção brasileira de tomate é estimada em 4,4 milhões de toneladas, com valor de produção de R$ 9,9 bilhões — Goiás é o principal estado produtor do país, diz o IBGE.

Levantamento do Hortifruti/Cepea mostra que, na safra de verão 2025/26, o clima mais úmido e as temperaturas elevadas aumentaram a incidência de doenças fúngicas e bacterianas nas lavouras, além de comprometerem a qualidade dos frutos, com maior ocorrência de manchas.

Segundo o Cepea, apesar das adversidades climáticas, o maior investimento em tecnologia tem garantido produtividades equivalentes — e, em alguns casos, superiores — ás da temporada anterior.

No entanto, esse desempenho vem recuando ao longo da safra, à medida que os problemas fitossanitários se intensificam. No ano passado, a área cultivada com tomate no Brasil recuou 8,9%, para 17.272 hectares na safra 2025/26.

“A umidade elevada aumentou a incidência de doenças como mancha de Stemphylium, cancro-bacteriano, murcha-bacteriana e murcha de Verticillium, reduzindo o potencial produtivo das plantas e elevando o descarte de frutos manchados, que não podem ser comercializados”, aponta o Cepea.

Em 2025, o tomate foi um dos principais vilões da inflação dos alimentos. Os preços começaram o ano em queda, refletindo a elevada produtividade favorecida por temperaturas mais amenas.

A partir de março, porém, o cenário mudou em função da menor área plantada, problemas fitossanitários e clima quente e seco nas principais regiões produtoras, o que sustentou uma reação consistente dos preços ao longo do inverno — o movimento de alta se estendeu até o segundo semestre, mas voltou a perder força.

Produção de tomate

Levantamento do Cepea mostra que o clima úmido tem favorecido a incidência de doenças bacterianas em diversas regiões produtoras de tomate, impactando a produtividade.

Em Itapeva (SP), mesmo com o aumento de doenças, a produção média ficou entre 400 e 450 caixas por mil plantas. Em Reserva (PR), o pico de colheita ocorreu entre o fim de novembro e início de dezembro, com produtividade de 250 caixas por mil plantas.

No Espírito Santo, em Venda Nova do Imigrante, as chuvas intensas desde outubro elevaram a presença de doenças, mas a produtividade superou em até 20% a do mesmo período do ano passado.

Já em Nova Friburgo (RJ), o volume colhido na segunda semana de janeiro foi baixo, com o fim do “plantio do cedo”.

No Sul, Caxias do Sul (RS) registra boa produtividade, apesar do aumento de doenças como cercosporiose, e espera-se pico de colheita em fevereiro. Em Caçador e Urubici (SC), as chuvas controladas permitiram boa qualidade dos frutos e expectativa positiva para o mês.

Nas regiões de cultivo anual, como CE, PI, PR, MG e BA, o volume colhido caiu em relação a dezembro, em função do avanço do ciclo e ao clima mais adverso.

Acompanhe tudo sobre:tomatePreço dos alimentosAgriculturaIBGE

Mais de EXAME Agro

Super Bowl: 3 horas de jogo e 1,5 bilhão de asas de frango no prato dos EUA

Tempestades geram prejuízo de 3 bilhões de euros na agricultura da Andaluzia

Trump amplia importação de carne da Argentina para conter preços nos EUA

Tarifa dos EUA sobre café solúvel deve cair em março, projeta setor brasileiro